8 de Fevereiro de 2013 / às 14:26 / 5 anos atrás

Milhares acompanham funeral de líder oposicionista morto na Tunísia

Pessoas em luto carregam caixão do líder da oposição assassinado Chokri Belaid durante procissão do seu funeral em direção ao cemitério de El-Jellaz, em Túnis. 08/02/2013Anis Mili

Por Tarek Amara e Alistair Lyon

TÚNIS, 8 Fev (Reuters) - Dezenas de milhares de tunisianos saíram às ruas nesta sexta-feira, em meio a atos esporádicos de violência, para acompanhar o funeral do líder da oposição secular Chokri Belaid, cujo assassinato aprofundou a crise política na Tunísia.

Enfrentando chuva fria, pelo menos 50 mil pessoas compareceram ao enterro de Belaid em seu distrito natal de Jebel al-Jaloud, na capital, entoando slogans anti-islamistas e contra o governo.

Foi o maior funeral da Tunísia desde a morte, em 2000, de Habib Bourguiba, líder da independência e primeiro presidente do país.

A Tunísia, berço das revoltas da chamada Primavera Árabe, está mergulhada em tensão por causa das disputas entre grupos islamistas, que têm maioria, e seus oponentes seculares, bem como pela frustração com a falta de progresso social e econômico desde a deposição do presidente Zine al-Abidine Ben Ali foi deposto, em janeiro de 2011.

"O povo quer uma nova revolução", gritavam participantes do funeral, em Túnis, que também cantaram o hino nacional.

Uma multidão se reuniu ao redor de um carro aberto do Exército que levou o caixão de Belaid, envolto na bandeira vermelha e branca da Tunísia, de um centro cultural em Jebel al-Jaloud para o frondoso cemitério de Jallaz, ao mesmo tempo que um helicóptero das forças de segurança sobrevoava o local.

A polícia lançou gás lacrimogêneo e disparou tiros para o ar para dispersar jovens que estavam quebrando carros perto do cemitério, forçando alguns participantes do funeral a fugir da fumaça sufocante. A polícia também usou gás lacrimogêneo contra manifestantes em frente ao Ministério do Interior.

"Belaid, descanse em paz, vamos continuar a luta", gritava a multidão, segurando retratos do político morto perto de sua casa, na quarta-feira, por um pistoleiro que fugiu em uma motocicleta.

Alguns manifestantes criticavam Rachid Ghannouchi, líder do partido islamista Ennahda. "Ghannouchi, assassino, criminoso", gritavam. "A Tunísia é livre, fora terrorismo."

Os policiais também usaram gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes antigoverno que atiravam pedras e bombas de gasolina na cidade de Gafsa, um centro de mineração que é reduto de partidários de Belaid, no sul do país, disseram testemunhas.

Lá, multidões gritavam "O povo quer a queda do regime", slogan usado pela primeira vez contra Ben Ali.

BERÇO DA REVOLTA

Em Sidi Bouzid, a cidade do sul onde a revolta contra o ditador deposto começou, cerca de 10 mil saíram às ruas para lamentar a morte de Belaid e gritar slogans contra o Ennahda e o governo.

Bancos, fábricas e algumas lojas ficaram fechados em Túnis e outras cidades em apoio a uma greve convocada pelos sindicatos em protesto contra o assassinato de Belaid, mas os ônibus estavam circulando normalmente.

A companhia aérea nacional Tunis Air suspendeu todos os seus voos por causa das greves, informou um porta-voz da empresa, acrescentando que os voos operados por outras empresas não foram afetados.

No entanto, fontes do aeroporto do Cairo disseram que a companhia área egípcia EgyptAir cancelou dois voos para a Tunísia depois que funcionários do aeroporto de Túnis aderiram à greve geral.

Reportagem adicional de Alexander Dziadosz em Cairo, Brian Love em Paris e Michael Shields em Viena

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