Vítimas de abusos sexuais criticam pontificado de Bento 16
Por James Mackenzie
ROMA, 12 Fev (Reuters) - O papa Bento 16 deixa o cargo sem ter conseguido acabar com os abusos sexuais de clérigos contra menores, nem com a cultura de sigilo que alimentou o escândalo, disseram na segunda-feira grupos que representam algumas das vítimas.
A entidade norte-americana Responsabilidade Episcopal disse que o papa, a despeito dos frequentes pedidos de perdão pelos abusos, não tomou medidas eficazes para corrigir o "mal incalculável" infligido a centenas de milhares de crianças assediadas por padres e bispos.
"As palavras de Bento soam vazias. Ele falava como um transeunte chocado, como se tivesse acabado de tropeçar na crise dos abusos", disse em nota Anne Barrett Doyle, codiretora do grupo.
O escândalo de pedofilia na Igreja Católica estourou bem antes de o então cardeal Joseph Ratzinger ser eleito papa, em 2005, mas ofuscou seu pontificado desde o início, à medida que novos casos continuaram vindo à tona no mundo todo.
Centenas de vítimas vieram a público com devastadores relatos sobre abusos sofridos nas mãos de padres, em alguns casos por anos a fio, causando graves danos psicológicos.
Pouco antes de assumir o cargo, Ratzinger falou em limpar a "sujeira" da Igreja, e posteriormente manifestou "profundo remorso" pelos danos. Mas o choque sentido em todo o mundo católico contribuiu para uma constante sangria dos seus membros.
"Ele falou publicamente sobre a crise mais do que seu antecessor, mas isso por si só não é nenhum feito", disse em nota a entidade SNAP, que também defende vítimas dos abusos. "Isso é simplesmente porque as revelações de um acobertamento nos mais altos escalões se tornaram amplamente documentadas durante seu pontificado".
Os críticos mais ferozes acusam Bento 16 de cumplicidade direta com o acobertamento, para proteger a imagem da Igreja. Continuação...

