12 de Fevereiro de 2013 / às 14:08 / 5 anos atrás

China se junta aos EUA e condena Coreia do Norte por teste nuclear

Por David Chance e Jack Kim

Foto de arquivo do presidente norte-americano, Barack Obama, ao discursar na Casa Branca, em Washington. Obama faz nesta terça-feira seu discurso anual do Estado da União de olho no calendário político, quando ele corre contra o tempo para aprovar medidas que definam seu legado na Casa Branca. 05/02/2013 REUTERS/Kevin Lamarque

SEUL, 12 Fev (Reuters) - A Coreia do Norte realizou seu terceiro teste nuclear nesta terça-feira, desafiando as atuais resoluções das Nações Unidas e sendo condenada por todo o mundo, inclusive por sua única aliada importante, a China.

A Coreia do Norte disse que o teste foi um ato de defesa contra a “hostilidade dos Estados Unidos” e ameaçou novas medidas mais fortes, se necessário. Segundo a Coreia do Norte, o teste teve “maior força explosiva” do que os de 2006 e 2009.

“Se os EUA continuarem hostis e complicarem a situação, seremos forçados a tomar ações mais duras”, teria dito um porta-voz não identificado do Ministério das Relações Exteriores norte-coreano, que atua como voz oficial de Pyongyang para o mundo exterior, segundo a agência estatal de notícias KCNA.

O Conselho de Segurança da ONU “condenou fortemente” o teste nuclear e votou nesta terça-feira pela tomada de ação contra Pyongyang, disse o presidente do Conselho.

“Os membros do Conselho de Segurança condenam fortemente o teste, que é uma grave violação das resoluções do Conselho de Segurança”, disse o ministro de Relações Exteriores da Coreia do Sul, Kim Sung-hwan, que preside o Conselho neste mês, a jornalistas. Ele disse que o Conselho irá agora considerar “medidas apropriadas”.

A Coreia do Norte já é um dos países com mais sanções do mundo e tem poucas relações econômicas externas.

O líder norte-coreano Kim Jong-un, o terceiro de sua linha para governar o país, acompanhou dois lançamentos de foguetes de longo alcance e um teste nuclear durante o seu primeiro ano no poder.

A China, que tem mostrado sinais de irritação crescente com o tom belicoso recente da Coreia do Norte, convocou o embaixador norte-coreano em Pequim e protestou com firmeza.

O ministro chinês das Relações Exteriores, Yang Jiechi, disse que a China está “fortemente insatisfeita e tem resoluta oposição” ao teste, e pediu que a Coreia do Norte “pare qualquer retórica ou atos que possam agravar a situação e volte ao caminho certo de diálogo e consulta o mais rápido possível”.

A China é um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.

O presidente dos EUA, Barack Obama, classificou o teste de um “ato altamente provocativo” que fere a estabilidade regional. Ele pressionou por novas sanções contra a Coreia do Norte. “Os EUA continuarão a tomar as medidas necessárias para defender a nós mesmos e nossos aliados”, disse Obama em um comunicado.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que o teste é uma “ameaça grave” que não pode ser tolerada. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, classificou o teste como uma “violação clara e grave” das resoluções do Conselho de Segurança.

O ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, exortou a Coreia do Norte a abandonar seu programa de armas nucleares e voltar às negociações. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) condenou o teste como um “ato irresponsável” que representa uma grave ameaça à paz mundial.

Washington acredita que o objetivo final da Coreia do Norte é a concepção de um míssil balístico intercontinental capaz de transportar uma ogiva nuclear que poderia atingir os EUA. A Coreia do Norte diz que o programa é destinado apenas a colocação de satélites no espaço.

Apesar dos três testes nucleares e dos foguetes de longo alcance, não se acredita que a Coreia do Norte esteja perto de fabricar um míssil nuclear capaz de atingir os EUA.

A agência sul-coreana de notícias Yonhap disse que Pyongyang havia informado a China e os EUA de seus planos de fazer o teste nuclear na segunda-feira, mas a informação não pôde ser confirmada.

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