G20 vai desconsiderar exigências de potências sobre câmbio
Por Jan Strupczewski e Tetsushi Kajimoto
MOSCOU, 15 Fev (Reuters) - O G20, grupo que reúne as principais economias do mundo, não vai destacar o Japão pela depreciação do iene e desconsiderará um apelo das nações do G7 de que as políticas fiscal e monetária devem ser usadas apenas para objetivos econômicos domésticos, de acordo com um esboço do comunicado de autoridades do G20.
Um delegado do grupo que teve acesso a esse esboço --elaborado por vice-ministros das Finanças para seus superiores-- afirmou que o documento também não faria menção direta a novas metas de redução da dívida, algo pelo qual a Alemanha tem pressionado mas que os Estados Unidos querem descartar.
Se for aprovado pelos ministros das Finanças e banqueiros centrais no sábado, o texto confirmará que o Japão vai escapar de qualquer censura por suas políticas expansionistas que levaram a cotação do iene a cair e deram início a reclamações por parte de algumas regiões.
"No fim, não haverá um forte embate sobre câmbio, já que ninguém pode arriscar a emissão de um sinal tão negativo", avaliou outra fonte da delegação do G20.
O mercado de câmbio ficou tumultuado esta semana depois que o grupo das sete potências --EUA, Japão, Alemanha, Grã-Bretanha, França, Canadá e Itália-- divulgou um comunicado dizendo que as políticas econômicas domésticas não devem ser usadas para influenciar as cotações das moedas.
Tóquio informou que o acordo refletiu que as políticas monetária e fiscal estão apropriadas, mas que a exibição de unidade foi abalada por críticas nos bastidores ao Japão.
O esboço do comunicado G20 apenas se apega à linguagem do conteúdo anterior do grupo sobre a necessidade de se evitar volatilidade no câmbio, afirmou o delegado.
O iene recuou cerca de 20 por cento desde novembro. Nesta sexta-feira, a moeda caiu em torno de 0,6 por cento ante o dólar e o euro, em resposta à divulgação de detalhes do comunicado. Continuação...

