Blogueira cubana vê "silêncio" da América Latina sobre direitos humanos em Cuba

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013 20:35 BRT
 

18 Fev (Reuters) - A blogueira dissidente cubana Yoani Sánchez, que chegou ao Brasil nesta segunda-feira, disse que a América Latina tem ignorado as violações de direitos humanos supostamente cometidas em Cuba e criticou essa postura.

Mais conhecida ativista de oposição da ilha comunista, Yoani finalmente recebeu autorização para sair de Cuba e escolheu o Brasil como a primeira parada de uma viagem que a levará a diversos países.

"No geral, vejo em toda a América Latina, em especial, um certo silêncio, uma certa distância do tema de direitos humanos em relação a Cuba. Para não incomodar (o presidente) Raúl Castro e tratar de integrá-lo, vamos não falar das violações de direitos humanos que se comete em Cuba", afirmou a jornalistas em Feira de Santana, na Bahia.

"Isso não me parece uma boa política, porque ao final se esquece do povo que em toda diplomacia tem que ser o centro... Sou partidária da diplomacia popular", disse.

A blogueira cubana vai participar de uma série de debates e eventos com temáticas sociais em Feira de Santana e assistirá a uma exibição do documentário "Conexão Cuba x Honduras", do cineasta Dado Galvão, no qual ela é uma das entrevistadas.

Ao chegar ao país nesta segunda-feira, Yoani foi alvo de protestos nos aeroportos de Recife, onde fez escala antes de seguir à Bahia, e de Salvador de uma dezena de manifestantes que a acusaram de agir sob influência dos Estados Unidos, mas essas demonstrações não a surpreenderam.

"Nem me assusta, nem dói. É um cenário de democracia.... Eu gostaria que um dia os cubanos pudessem ter o direito de, quando não gostarmos de alguém que nos visite, ou quando não gostarmos de algo ou alguma lei, sair às ruas e ser respeitados nessa negativa."

Yoani disse que o caminho da democracia para Cuba tem que passar pelo restabelecimento das relações com os Estados Unidos, que mantêm um embargo econômico, comercial e financeiro à ilha desde 1962. Havana considera a medida como um "bloqueio".

"O que acontece é que nessa normalização de relações, não se pode esquecer do tema dos direitos humanos. Não se pode deixar de lado uma lista de requisitos necessários que a ilha deve cumprir para poder estabelecer relações não apenas com os Estados Unidos, mas com muitos outros países", afirmou ela a jornalistas.   Continuação...

 
Blogueira cubana Yoani Sánchez fala a jornalistas em Feira de Santana, na Bahia, nesta segunda-feira. 18/02/2013 REUTERS/Ueslei Marcelino