19 de Fevereiro de 2013 / às 13:02 / 5 anos atrás

Varejo tem 1a queda em 6 meses em dezembro, mas avança 8,4% em 2012

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

Um homem caminha em frente a caixas de som numa loja Casas Bahia em São Paulo. As vendas no comércio varejista brasileiro registraram queda inesperada de 0,5 por cento em dezembro ante novembro, com os consumidores mostrando-se mais contidos em suas compras diante de preços mais altos, mostraram dados divulgados nesta terça-feira. 7/02/2013 REUTERS/Nacho Doce

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 19 Fev (Reuters) - As vendas no comércio varejista brasileiro registraram queda inesperada de 0,5 por cento em dezembro ante novembro, com os consumidores mostrando-se mais contidos em suas compras diante de preços mais altos, mostraram dados divulgados nesta terça-feira.

O recuo visto em dezembro foi o primeiro resultado negativo após seis meses consecutivos de crescimento, e evidencia a dificuldade de recuperação da atividade econômica. Em novembro, as vendas haviam subido 0,3 por cento e a última queda tinha sido registrada em maio De 2012, de 0,9 por cento.

Ainda assim, o setor fechou 2012 com alta nas vendas de 8,4 por cento, acima do avanço registrado em 2011 de 6,7 por cento, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

“O comércio segurou a onda da economia em 2012”, disse a jornalistas o economista do IBGE , Reinaldo Pereira, lembrando que a projeção é de que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha crescido apenas 1 por cento no ano passado.

Na comparação dezembro de 2011, o volume de vendas em dezembro subiu 5,0 por cento, após avanço de 8,4 por cento em novembro na mesma comparação.

“O comércio vem resistindo e sobrevivendo à queda do ritmo da economia. Dezembro é um resultado pontual e não significa que 2013 vai ser ruim”, disse.

Os resultados surpreenderam ao ficarem bem abaixo da expectativa do mercado, sendo que nenhum analista esperava queda nas vendas na comparação mensal, de acordo com pesquisa Reuters.

Na mediana das projeções, a expectativa era de alta de 0,8 por cento em dezembro sobre novembro, com as contas variando entre alta de 0,20 por cento e 1,60 por cento.

PREÇOS MAIS ALTOS

Apesar de ter havido um recuo no volume de vendas, a receita nominal de vendas subiu 0,2 por cento em relação a novembro, indicando que houve aumento de preços no período. No acumulado do ano, houve alta de 12,3 por cento na receita.

“A alta da inflação deve causar desaceleração do consumo este ano, mas ainda assim a expectativa é de que continue crescendo”, avaliou o estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil, Luciano Rostagno, que espera uma expansão de 6,5 por cento nas vendas neste ano.

“Acho que esses números evidenciam que o modelo de crescimento pautado no consumo está se exaurindo. O governo vai ter que buscar outras formas para estimular a economia, e deveria ser via investimentos”, completou Rostagno.

A inflação terminou 2012 em alta e acelerou em janeiro para o ritmo mais rápido em quase oito anos, o que afeta o poder de compra de famílias.

EQUIPAMENTOS E SUPERMERCADOS

Segundo o IBGE, cinco das oito atividades pesquisadas registraram queda sobre o mês anterior, com destaque para Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, com recuo de 15,5 por cento após queda 13,0 por cento em novembro.

“A venda de computadores, notebooks e celulares cresceu assustadoramente nos últimos anos. Pode ser que o crescimento vertiginoso aliado à inadimplência tenha causado um arrefecimento as vendas”, disse o economista do IBGE.

Por sua vez, as vendas de Outros artigos de uso pessoal e doméstico registraram queda de 4,1 por cento em dezembro ante novembro, após alta de 4,7 por cento no mês anterior.

Já o setor de Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registrou queda de 0,3 por cento em dezembro, após alta de 0,5 por cento no mês anterior.

No ano, o segmento registrou expansão no volume de vendas de 8,4 por cento em relação ao ano anterior, respondendo por 44,6 por cento da taxa anual do varejo.

O segundo maior impacto foi do setor de Móveis e eletrodoméstico, com alta de 12,3 por cento em relação a 2011.

AUTOMÓVEIS

Em relação às vendas do comércio varejista ampliado --que inclui o setor automotivo e material de construção--, o IBGE informou que houve crescimento de 8,0 por cento em 2012 sobre 2011.

Na comparação mensal, foi registrada alta de 1,3 por cento em dezembro ante novembro, com destaque para o avanço de 8,3 por cento nas vendas de Veículos e motos após recuo de 2,9 por cento em novembro.

O resultado do setor varejista mostra que a economia brasileira ainda sofria para recuperar seu fôlego, a exemplo do que mostraram os dados da indústria. Ainda assim, analistas continuam vendo crescimento do varejo neste ano, ainda que abaixo de 2012.

“Apesar da performance fraca em dezembro, estamos convencidos de que as vendas no varejo deverão continuar muito melhores do que a produção, uma vez que o crescimento da receita permanece forte, enquanto as taxas de juros continuam fortemente expansionistas”, afirmou em nota o economista Alexandre Schwartsman, da Schwartsman & Associados.

Para a equipe da LCA, o volume de vendas no varejo restrito neste ano deve apresentar crescimento de 6 por cento, abaixo dos 8,5 por cento do ano passado, destacando um reajuste do salário mínimo inferior ao de 2012, além do fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados de alguns bens duráveis.

A produção da indústria registrou em 2012 a primeira queda em três anos, de 2,7 por cento, mostrando que o setor entrou 2013 embicado para baixo, segundo analistas.

O Banco Central deve divulgar em breve o resultado de dezembro do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma espécie de sinalizador do PIB.

Depois do resultado do varejo, Schwartsman estima leitura zero para o IBC-Br em dezembro, com expansão de 0,6 por cento no quarto trimestre ante os três meses anteriores.

Reportagem adicional de Diogo Ferreira Gomes no Rio de Janeiro e Silvio Cascione em São Paulo

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