February 20, 2013 / 8:13 PM / in 4 years

Aécio diz que país está sendo governado pela "lógica da reeleição"

6 Min, DE LEITURA

BRASÍLIA, 20 Fev (Reuters) - Para se contrapor à comemoração que o PT fará nesta noite de 10 anos no comando do governo federal, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), provável candidato à Presidência da República em 2014, criticou 13 "fracassos" das gestões petistas e disse que o país não está sendo governado pela presidente Dilma Rousseff, mas pela "lógica da reeleição".

Aécio, que deve assumir a presidência do PSDB nos próximos meses e colocar sua candidatura na rua, usou um tom ameno, mas firme, para apontar o que classificou de erros dos governos petistas desde 2003.

"A grande verdade é, nestes dez anos, o PT está exaurindo a herança bendita que o governo (do ex-presidente) Fernando Henrique (Cardoso) lhe legou", disse o tucano no plenário cheio de aliados, mas com poucos petistas.

O discurso coincide com a festa preparada pelo PT para comemorar 33 anos de fundação e uma década na Presidência da República, em São Paulo, para onde viajou a maior parte dos senadores petistas antes de Aécio discursar.

Para marcar posição, o PT lançou uma cartilha em que compara o governo do ex-presidente tucano Fernando Henrique, entre 1995 e 2002, com as gestões do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula e de Dilma.

Na estratégia desenhada pelos tucanos, vários senadores fariam apartes no Senado para defender as conquistas do governo de Fernando Henrique. Desde o início da semana, a liderança dos tucanos no Senado distribuiu documentos aos senadores dando subsídios para as críticas ao PT, disse uma fonte do partido à Reuters.

A estratégia, porém, não funcionou como o programado, já que nenhum tucano interrompeu Aécio e, após o seu discurso, poucos senadores do partido se manifestaram na tribuna do Senado.

"De forma incorreta o PT trata como iguais as realidades diferentes que marcaram governo do PT e do PSDB", afirmou Aécio em referência à cartilha petista. Ele disse que falta aos petistas "autocrítica, humildade e reconhecimento".

"Fato é que, no governo, eles deram continuidade às políticas criadas e implantadas pelo presidente Fernando Henrique", argumentou. O legado tucano também foi defendido na terça-feira pelo próprio Fernando Henrique em vídeo divulgado na Internet.

Aécio questionou ainda a transformação do PT desde que o partido chegou ao poder e indagou qual era a legenda que estava comemorando mais de três décadas de fundação.

"O (PT) que fez do discurso da ética, durante anos, a sua principal bandeira eleitoral, ou o que defende em praça pública os réus do mensalão? O que condenou com ferocidade as privatizações conduzidas pelo PSDB ou o que as realiza hoje, sem qualquer constrangimento? ... O Brasil clama por saber: qual PT aniversaria hoje?", perguntou.

Entre os 13 pontos criticados por Aécio estão a perda de credibilidade dos investidores e do mercado na condução da política econômica do país; as medidas adotadas pelo governo em relação a marcos regulatórios, que na sua avaliação estão prejudicando as estatais Petrobras e Eletrobrás; e a falta planejamento ao governo petista na área de energia, que só não teria resultado em racionamento no setor pelo baixo crescimento econômico.

"Os pilares da economia estão em rápida deterioração, colocando em risco conquistas que a sociedade brasileira logrou anos para alcançar, como a estabilidade da moeda", disse o tucano.

"O resultado é que temos hoje inflação alta, persistentemente acima da meta, com baixíssimo crescimento. Quem mais perde são os mais pobres", acrescentou o senador.

Disputa 2014

Escolhido para ser o porta-voz das críticas ao PT para marcar sua posição como provável candidato à Presidência em 2014, Aécio não deixou de direcionar as críticas a Dilma, que também é candidata à reeleição.

"A presidente Dilma chega à metade do seu mandato e está longe de cumprir promessas da campanha de 2010.... A incapacidade de gestão se adensou", criticou o tucano.

"Não é mais a presidente que governa (o país), quem governa é a lógica da reeleição", acrescentou.

Porém, após o discurso, Aécio negou que o partido estivesse entrando no jogo eleitoral, supostamente proposto por Dilma.

"Acho que é o momento de discutir os temas que interessam ao país, não é o momento de eleição. Não acho que devamos antecipar nossa agenda em função do governo federal ter antecipado a sua", disse a jornalistas.

"Candidatura, o PSDB e as oposições só devem ter no amanhecer de 2014", acrescentou.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), um dos poucos petistas no plenário, avaliou que o tucano discursou apenas com o objetivo de demarcar o território eleitoral para 2014, mas que não foi bem sucedido.

"O Aécio sem sombra de dúvida tentou fazer aqui uma demarcação, a gente sabe já que é candidato a presidente da República, mas eu acho que eles (da oposição) têm que mudar muito", argumentou o petista, que classificou o discurso do tucano como "elitista".

"Se esse for o tom da campanha, o PSDB começa muito mal. As pessoas têm uma pauta real para sua vida, que é emprego, salário, nada disso esteve presente no discurso, o que continua mostrando que a oposição está desorientada e sem rumo", disse Lindbergh.

Reportagem de Jeferson Ribeiro

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below