BC não vê inflação convergindo para meta em 2013--diretor

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013 15:37 BRT
 

Por Luciana Otoni

BELO HORIZONTE, 21 Fev (Reuters) - O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, disse nesta quinta-feira que não é factível esperar que a inflação brasileira convirja para o centro da meta de 4,5 por cento neste ano, indicando ainda que a autoridade monetária vê um câmbio menos volátil.

"Com informações de que dispomos hoje, não é realista imaginar convergência (da inflação) em 2013", disse ele em entrevista a jornalistas, acrescentando que a inflação mostrará resistência no primeiro semestre e recuará no segundo semestre do ano.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 0,86 por cento em janeiro, maior variação desde abril de 2005, acumulando alta de 6,15 por cento em 12 meses. A meta de inflação deste ano é de 4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

O diretor, durante a apresentação do Boletim Regional do BC, reforçou as últimas declarações dadas pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, de que a atual política continua válida, mas que os ciclos monetários não foram abolidos e que, se necessário, a política monetária poderá ser ajustada.

"Ele (Tombini) falou que não há risco de descontrole inflacionário, portanto, vale a mensagem. Ele falou que neste momento a estratégia da política monetária está mantida... e que não foram abolidos os ciclos monetários."

Na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), em janeiro, o BC reforçou a indicação de que a manutenção da Selic por um tempo "suficientemente prolongado" é a melhor estratégia.

Ao falar sobre os fatores que manterão o IPCA elevado na primeira metade do ano, Carlos Hamilton citou o comportamento do preço dos alimentos, possíveis aumentos de preços administrados e que o reajuste de 9 por cento no salário mínimo exerce pressão de alta em alguns segmentos, como gastos com empregado doméstico e serviços pessoais.

Por outro lado, o diretor do BC argumentou que, nas contas da autoridade monetária para a inflação neste ano, o cenário incorpora o mercado de câmbio menos volátil.   Continuação...