22 de Fevereiro de 2013 / às 12:32 / 5 anos atrás

IPCA-15 sobe 0,68% em fevereiro e acumula alta de 6,18% em 12 meses

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 22 Fev (Reuters) - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) surpreendeu em fevereiro ao registrar alta acima do esperado pressionado ainda por alimentos, apesar da redução nos preços das tarifas de energia, mantendo a atenção sobre a possibilidade de alta da taxa básica de juros do país.

De acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice considerado a prévia da inflação oficial mostrou desaceleração da alta a 0,68 por cento em fevereiro, ante 0,88 por cento em janeiro. O número veio acima da expectativa de 33 analistas consultados pela Reuters, cuja mediana apontava avanço de 0,61 por cento neste mês.

No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA-15 tem alta de 6,18 por cento, acima dos 12 meses imediatamente anteriores, quando ficou em 6,02 por cento, e dos 6,15 por cento do IPCA fechado do mês passado.

A redução nos preços das tarifas de energia elétrica, anunciada no mês passado pelo governo, foi o principal responsável pela desaceleração do IPCA-15 em fevereiro, com queda de 13,45 por cento nas contas, segundo o IBGE, retirando 0,45 ponto percentual do indicador. Sem isso, a inflação no mês teria superado 1 por cento.

A tarifa elétrica compensou os aumentos de 2,26 por cento nos valores do aluguel e de 1,33 por cento do condomínio em fevereiro, fazendo com que as despesas do grupo Habitação recuassem 2,17 por cento, ante alta de 0,74 por cento em janeiro.

Mas, segundo especialistas, o que mais chamou a atenção foi a inflação do grupo Alimentação e bebidas, com alta de 1,74 por cento, acelerando ante o avanço de 1,45 por cento em janeiro.

"Todo mundo espera safra recorde este ano, e o governo também conta com isso para que não ocorra pressão de preços, mas estamos um pouco pessimistas. Ficar apostando em melhora de clima, melhora de safra, acho um pouco arriscado", disse o economista da Claritas Investimentos Felipe Carvalho, citando o clima desfavorável no início do ano.

Também pesou no IPCA-15 o grupo Educação, que registrou a maior alta deste mês, de 5,49 por cento, ante 0,33 por cento em janeiro. Já as Despesas Pessoais mostraram desaceleração, com alta nos preços de 1,15 por cento em fevereiro, ante 1,80 por cento do mês anterior.

DIFUSÃO GRANDE

Apesar de um pouco menor, segundo especialistas, o índice de difusão da alta do IPCA-15 ainda preocupa, uma vez que ficou em cerca de 71 por cento em fevereiro, desacelerando ante 75,1 por cento do IPCA fechado de janeiro.

"Isso quer dizer que as pressões de alta de preços são bem generalizadas... E ainda há o fato de a inflação em 12 meses estar quase encostando no teto da meta", destacou a economista da Tendências Alessandra Ribeiro.

A meta de inflação do governo é de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de mais ou menos dois pontos percentuais. Em janeiro, a inflação oficial do país atingiu a maior taxa mensal em quase oito anos, ao subir 0,86 por cento.

A leitura de fevereiro do IPCA-15 já levou os analistas a revisarem sua previsão para o IPCA fechado do mês, com viés de alta. A Tendências estimava avanço de 0,3 por cento, mas esse número deve ficar em torno de 0,5 por cento segundo Alessandra, mesmo com o impacto da redução da energia elétrica.

Com o objetivo de ajudar a controlar a inflação e estimular a economia, o governo reduziu as tarifas de energia em 18 por cento para consumidores residenciais e em até 32 por cento para consumidores industriais, agrícolas e comerciais.

SELIC

A aceleração da inflação vêm alimentando apostas de alta da Selic --hoje na mínima histórica de 7,25 por cento ao ano-- ainda no primeiro semestre, assim como a expectativa de que a política cambial possa ser usada como ferramenta para contenção dos preços.

Mas a cautela ainda aparece entre os analistas diante da dificuldade de a economia brasileira em deslanchar.

"A pressão aumenta, mas sabemos que o governo quer entregar PIB este ano. Então achamos que vão tentar realizar o mais rápido possível outras armas (para combater a inflação), como a desoneração da cesta básica", disse Alessandra, da Tendências.

As atenções agora devem se voltar para a reunião de março do Comitê de Política de Monetária (Copom), com a expectativa, segundo Carvalho, da Claritas, de alterações no teor da ata. Apesar de ainda não prever alta na Selic, ele não descarta esse movimento no segundo semestre.

O mercado de juros futuros, por outro lado, prevê que a taxa básica vai subir em breve.

"(O BC) deve alterar o comunicado, dizendo que está mais preocupado, mais vigilante. E se os dados não ajudarem, acreditamos que pode haver uma alta dos juros", disse ele.

Na quinta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a inflação no Brasil está sob controle e deverá fechar 2013 em torno de 5,5 por cento, citando projeções de mercado. A expectativa do mercado em pesquisa do BC é de alta de 5,70 por cento em 2013.

O BC reduziu a Selic para a mínima recorde de 7,25 por cento, e indicou que a manteria baixa por um período "suficientemente prolongado". Mas já admite ajustar a política monetária, com o próprio presidente da entidade, Alexandre Tombini, afirmando que isso será feito se necessário.

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