Voto de protesto leva Itália a impasse político

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013 19:24 BRT
 

Por Barry Moody e James Mackenzie

ROMA, 25 Fev (Reuters) - O protesto eleitoral de muitos italianos enfurecidos com as dificuldades econômicas e com a corrupção na política empurra na segunda-feira o país a um impasse pós-eleitoral, já que as projeções indicam que nenhuma coalizão terá força suficiente para formar um novo governo.

Com mais de dois terços dos votos apurados, a centro-esquerda parece ter uma ligeira vantagem na disputa pela Câmara, mas aparentemente nenhum grupo conseguirá formar maioria no Senado. Esse seria o oposto do resultado estável do qual a Itália precisa desesperadamente para combater a recessão, o desemprego e a dívida pública.

Os mercados da Itália - terceira maior economia da zona do euro - pareceram assustados com o andamento da apuração, depois de inicialmente subirem com a esperança de que um governo sólido de centro-esquerda se formasse, provavelmente com o apoio do atual premiê, o tecnocrata Mario Monti.

Monti disse que todos os partidos têm a responsabilidade de garantir que um novo governo seja formado após as eleições inconclusivas.

O grande nome da eleição de domingo e segunda-feira na Itália acabou sendo o comediante genovês Beppe Grillo, líder do populista Movimento 5 Estrelas, que estreou numa campanha eleitoral nacional fazendo discursos cheios de xingamentos à desacreditada classe política tradicional.

Com promessas eleitorais vagas e candidatos quase desconhecidos, o ator canalizou a irritação popular contra o sistema político, visto por muitos como inútil e esclerosado.

O resultado das urnas, se confirmado, será também um tapa na cara do anódino líder centro-esquerdista Pier Luigi Bersani, que parece ter desperdiçado uma vantagem de dez pontos percentuais sobre a centro-direita que as pesquisas lhe atribuíam há menos de dois meses.

O ex-premiê Silvio Berluconi, de 76 anos, que conseguiu uma extraordinária recuperação desde dezembro, apesar dos escândalos sexuais e de corrupção associados ao seu nome, parece liderar a disputa pelo Senado, mas as projeções dizem que o Movimento 5 Estrelas privará o político conservador de formar maioria entre os senadores.   Continuação...