Voto de protesto leva Itália a impasse político
Por Barry Moody e James Mackenzie
ROMA, 25 Fev (Reuters) - O protesto eleitoral de muitos italianos enfurecidos com as dificuldades econômicas e com a corrupção na política empurrava na segunda-feira o país a um impasse pós-eleitoral, já que os resultados indicam que nenhuma coalizão terá força suficiente para formar um novo governo.
Com 99,9 por cento das urnas apuradas, a centro-esquerda liderava a centro-direita por cerca de 125 mil votos na câmara baixa e irá conquistar maioria na Casa, informou o Ministério do Interior.
Mas o Senado era uma história diferente. A centro-esquerda ganhará mais assentos do que a centro-direita, mas ficou aquém de uma maioria. Esse é o oposto do resultado estável do qual a Itália precisa desesperadamente para combater a recessão, o desemprego e a dívida pública.
Os mercados da Itália - terceira maior economia da zona do euro - pareceram assustados com o andamento da apuração, depois de inicialmente subirem com a esperança de que um governo sólido de centro-esquerda se formasse, provavelmente com o apoio do atual premiê, o tecnocrata Mario Monti.
Monti disse que todos os partidos têm a responsabilidade de garantir que um novo governo seja formado após as eleições inconclusivas.
O grande nome da eleição de domingo e segunda-feira na Itália acabou sendo o comediante genovês Beppe Grillo, líder do populista Movimento 5 Estrelas, que estreou numa campanha eleitoral nacional fazendo discursos cheios de xingamentos à desacreditada classe política tradicional.
Com promessas eleitorais vagas e candidatos quase desconhecidos, o ator canalizou a irritação popular contra o sistema político, visto por muitos como inútil e esclerosado.
O resultado das urnas, se confirmado, será também um tapa na cara do anódino líder centro-esquerdista Pier Luigi Bersani, que parece ter desperdiçado uma vantagem de dez pontos percentuais sobre a centro-direita que as pesquisas lhe atribuíam há menos de dois meses. Continuação...

