No dia da despedida, Bento 16 promete obediência ao novo papa

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013 14:00 BRT
 

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO, 28 Fev (Reuters) - O papa Bento 16, com apenas horas restantes em seu papado, prometeu nesta quinta-feira obediência incondicional a quem lhe suceder para guiar a Igreja Católica em um dos períodos mais assolados por crises em seus 2.000 anos de história.

Bento 16, que deixa o Vaticano nesta quinta-feira para a residência temporária na residência de verão papal ao sul de Roma, fez uma despedida emotiva dos cardeais antes de se tornar o primeiro papa em seis séculos a renunciar.

"Vou continuar a estar perto de vocês em oração, especialmente nos próximos dias, de modo que vocês aceitem plenamente a ação do Espírito Santo na eleição do novo papa", disse ele aos cardeais na sala Clementina do Vaticano.

"Que o Senhor possa mostrá-los o que Ele quer. Entre vocês, há o futuro papa, a quem hoje declaro minha reverência e obediência incondicional", afirmou.

A promessa, feita antes do conclave a portas fechadas em que os cardeais elegerão o novo papa, foi importante porque, pela primeira vez na história, haverá um papa reinante e um ex-papa vivendo lado a lado no Vaticano.

Bento parecia estar enviando uma forte mensagem aos escalões superiores da Igreja, bem como aos fiéis, para permanecerem unidos em apoio a seu sucessor, seja ele quem for.

Alguns estudiosos da Igreja temem que se o próximo papa desfizer algumas das políticas de Bento 16 enquanto seu antecessor ainda estiver vivo, Bento poderia atuar como um para-raios para os conservadores e polarizar a Igreja de 1,2 bilhão de membros.

Com a eleição do próximo papa ocorrendo na esteira de escândalos de abuso sexual, vazamentos de documentos privados do papa, queda no número de fiéis e exigências de um papel maior para as mulheres, muitos na Igreja acreditam que seria benéfico uma cara nova vinda de um país fora da Europa.   Continuação...

 
Papa Bento 16 discursa em última reunião com cardeais, no Vaticano. 28/02/2013 REUTERS/Osservatore Romano