No dia da despedida, Bento 16 promete obediência ao novo papa
Por Philip Pullella
CIDADE DO VATICANO, 28 Fev (Reuters) - O papa Bento 16, com apenas horas restantes em seu papado, prometeu nesta quinta-feira obediência incondicional a quem lhe suceder para guiar a Igreja Católica em um dos períodos mais assolados por crises em seus 2.000 anos de história.
Bento 16, que deixa o Vaticano nesta quinta-feira para a residência temporária na residência de verão papal ao sul de Roma, fez uma despedida emotiva dos cardeais antes de se tornar o primeiro papa em seis séculos a renunciar.
"Vou continuar a estar perto de vocês em oração, especialmente nos próximos dias, de modo que vocês aceitem plenamente a ação do Espírito Santo na eleição do novo papa", disse ele aos cardeais na sala Clementina do Vaticano.
"Que o Senhor possa mostrá-los o que Ele quer. Entre vocês, há o futuro papa, a quem hoje declaro minha reverência e obediência incondicional", afirmou.
A promessa, feita antes do conclave a portas fechadas em que os cardeais elegerão o novo papa, foi importante porque, pela primeira vez na história, haverá um papa reinante e um ex-papa vivendo lado a lado no Vaticano.
Bento parecia estar enviando uma forte mensagem aos escalões superiores da Igreja, bem como aos fiéis, para permanecerem unidos em apoio a seu sucessor, seja ele quem for.
Alguns estudiosos da Igreja temem que se o próximo papa desfizer algumas das políticas de Bento 16 enquanto seu antecessor ainda estiver vivo, Bento poderia atuar como um para-raios para os conservadores e polarizar a Igreja de 1,2 bilhão de membros.
Com a eleição do próximo papa ocorrendo na esteira de escândalos de abuso sexual, vazamentos de documentos privados do papa, queda no número de fiéis e exigências de um papel maior para as mulheres, muitos na Igreja acreditam que seria benéfico uma cara nova vinda de um país fora da Europa. Continuação...

