February 28, 2013 / 3:49 PM / 4 years ago

No dia da despedida, Bento 16 promete obediência ao novo papa

5 Min, DE LEITURA

Papa Bento 16 discursa em última reunião com cardeais, no Vaticano. 28/02/2013Osservatore Romano

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO, 28 Fev (Reuters) - O papa Bento 16, com apenas horas restantes em seu papado, prometeu nesta quinta-feira obediência incondicional a quem lhe suceder para guiar a Igreja Católica em um dos períodos mais assolados por crises em seus 2.000 anos de história.

Bento 16, que deixa o Vaticano nesta quinta-feira para a residência temporária na residência de verão papal ao sul de Roma, fez uma despedida emotiva dos cardeais antes de se tornar o primeiro papa em seis séculos a renunciar.

"Vou continuar a estar perto de vocês em oração, especialmente nos próximos dias, de modo que vocês aceitem plenamente a ação do Espírito Santo na eleição do novo papa", disse ele aos cardeais na sala Clementina do Vaticano.

"Que o Senhor possa mostrá-los o que Ele quer. Entre vocês, há o futuro papa, a quem hoje declaro minha reverência e obediência incondicional", afirmou.

A promessa, feita antes do conclave a portas fechadas em que os cardeais elegerão o novo papa, foi importante porque, pela primeira vez na história, haverá um papa reinante e um ex-papa vivendo lado a lado no Vaticano.

Bento parecia estar enviando uma forte mensagem aos escalões superiores da Igreja, bem como aos fiéis, para permanecerem unidos em apoio a seu sucessor, seja ele quem for.

Alguns estudiosos da Igreja temem que se o próximo papa desfizer algumas das políticas de Bento 16 enquanto seu antecessor ainda estiver vivo, Bento poderia atuar como um para-raios para os conservadores e polarizar a Igreja de 1,2 bilhão de membros.

Com a eleição do próximo papa ocorrendo na esteira de escândalos de abuso sexual, vazamentos de documentos privados do papa, queda no número de fiéis e exigências de um papel maior para as mulheres, muitos na Igreja acreditam que seria benéfico uma cara nova vinda de um país fora da Europa.

Alguns cardeais de países em desenvolvimento, incluindo o brasileiro dom Odilo Scherer, Peter Turkson, de Gana, e Antonio Tagle, das Filipinas, são nomes frequentemente citados como principais candidatos do mundo em desenvolvimento.

Não existem candidatos oficiais, nenhuma campanha aberta e nenhum claro favorito ao posto. Cardeais apontados como favoritos por observadores do Vaticano incluem também o canadense Marc Ouellet, o italiano Angelo Scola e o norte-americano Timothy Dolan.

Problemas Papais

Bento, vestindo a batina branca papal e a capa vermelha que ele deixará de usar após a oficialização da renúncia, insistiu que a Igreja se esforce para ser "profundamente unida".

Amante da música clássica, ele comparou a hierarquia da Igreja a uma orquestra com muitos instrumentos que devem sempre procurar ser harmoniosos.

"Vamos permanecer unidos, queridos irmãos", disse Bento 16, que fez alusão aos escândalos e relatos de disputas internas entre seus assessores mais próximos.

"Nesses últimos oito anos temos vivido com fé momentos bonitos de luz radiante no caminho da Igreja, bem como momentos em que algumas nuvens escureceram o céu", declarou ele.

O papa disse que "tentou servir a Cristo e à sua Igreja com amor profundo e total".

Bento mais tarde se despedirá dos funcionários do Vaticano e voará de helicóptero a Castelgandolfo, o retiro de verão papal ao sul de Roma, onde vai ficar até abril, quando as reformas serão concluídas em um convento, no Vaticano, que será a sua nova casa.

Às 16 horas (horário de Brasília), o papado ficará oficialmente vago e dois guardas suíços que cerimoniosamente protegem a vila de verão vão marchar para longe e não retornarão até que o novo papa tome posse da residência.

Novo Papa Para a páscoa

Assim que a cadeira de São Pedro estiver vaga, cardeais de vários países do mundo vão começar a planejar o conclave que vai eleger o próximo papa.

Uma das primeiras perguntas que estes "príncipes da Igreja" enfrentam é quando os 115 cardeais eleitores devem entrar na Capela Sistina para a votação. Eles vão realizar uma primeira reunião na sexta-feira, mas a decisão não deve ocorrer até a próxima semana.

O Vaticano parece ter como objetivo uma eleição até meados de março para que o novo papa possa ser empossado antes do Domingo de Ramos, em 24 de março, e conduzir os serviços da Semana Santa que culminam na Páscoa no domingo seguinte.

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