BC mantém Selic em 7,25%, mas deixa porta aberta para elevar juros

quarta-feira, 6 de março de 2013 22:34 BRT
 

BRASÍLIA/SÃO PAULO, 6 Mar (Reuters) - O Banco Central manteve nesta quarta-feira, em decisão unânime, a Selic em 7,25 por cento ao ano, mas deixou a porta aberta para a elevação dos juros no futuro, ao retirar a indicação de que a taxa ficaria em níveis baixos por um período "suficientemente prolongado".

Essa foi a terceira vez seguida que o Copom manteve a taxa básica de juros, depois de uma sequência de dez cortes, e a decisão veio em linha com as expectativas do mercado.

"O Comitê irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária", disse o Comitê de Política Monetária (Copom) em comunicado conciso divulgado após a reunião.

Pesquisa da Reuters mostrou na semana passada que todos os 56 economistas consultados esperavam manutenção da Selic, mas uma maioria acreditava que o BC iria parar de prever a taxa baixa por período "suficientemente prolongado".

"Veio dentro do que o mercado já tinha precificado... Ele mostrou o que a gente chama de 'data dependent': a próxima decisão vai estar totalmente condicionada aos dados", afirmou o economista-chefe do Santander, Mauricio Molan.

Uma das maiores expectativas dos agentes econômicos era sobre a expressão por um "período de tempo suficientemente prolongado" no comunicado desta quarta-feira, utilizada nas três reuniões anteriores, para indicar o intervalo em que a Selic ficaria estável.

"O BC deixou a porta aberta para subir os juros já em abril, dependendo de como vai evoluir a inflação até a próxima reunião... Por enquanto, ainda trabalhamos com previsão de alta (da Selic) em julho, mas ainda vou reavaliar isso. Claramente aumentaram muito as chances de alta já em abril", afirmou o estrategista-chefe do banco WestLB, Luciano Rostagno.

O BC também não deu detalhes no comunicado desta quarta-feira sobre suas perspectivas para inflação, recuperação da atividade econômica e cenário externo.

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Funcionário inspeciona folhas de dinheiro durante visita da imprensa à Casa da Moeda, no Rio de Janeiro, em agosto do ano passado. 23/08/2012 REUTERS/Sergio Moraes