8 de Março de 2013 / às 12:05 / 5 anos atrás

IPCA sobe 0,60% em fevereiro e eleva alta em 12 meses a 6,31%

Por Diogo Ferreira Gomes e Camila Moreira

Vista da represa da hidrelétrica de Furnas e fios de condução elétrica, em São José da Barra, Minas Gerais. Auxiliado pela redução na tarifa de energia elétrica, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou a alta em fevereiro a 0,60 por cento, acumulando alta de 6,31 por cento por cento no mês passado. 14/01/2013 REUTERS/Paulo Whitaker

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 8 Mar (Reuters) - Auxiliada pela redução na tarifa de energia elétrica, a inflação desacelerou em fevereiro, mas o resultado acima do esperado aumenta a pressão sobre o Banco Central para elevar o juro básico do país.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, que mede a inflação oficial, subiu 0,60 por cento no mês passado, com grande peso de alimentos e educação, depois de uma alta de 0,86 por cento em janeiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

Com isso, o IPCA acumulou uma alta de 6,31 por cento nos últimos 12 meses, ante 6,15 por cento nos 12 meses encerrados em janeiro, aproximando-se ainda mais do teto da meta de inflação, de 4,5 por cento mais 2 pontos percentuais.

Analistas ouvidos pela Reuters esperavam avanço de 0,49 por cento no mês passado, de acordo com a mediana de 39 analistas, com as projeções variando de 0,38 a 0,56 por cento. Para 12 meses, as expectativas eram de alta de 6,20 por cento.

“Isso pressiona o governo para agir em relação à política monetária. Ainda bem que o BC já mudou o tom na última reunião”, avaliou o economista sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flávio Serrano, referindo-se ao encontro desta semana do Comitê de Política Monetária do BC.

De acordo com o IBGE, as contas de energia elétrica ficaram 15,17 por cento mais baratas em fevereiro, refletindo a redução no valor das tarifas promovida pelo governo e com impacto negativo de 0,48 ponto percentual no índice. Sem isso, o IPCA teria registrado inflação acima de 1 por cento no mês.

O resultado da energia compensou as altas nos valores do aluguel (2,26 por cento) e condomínio (1,33 por cento), colaborando para a queda de 2,38% do grupo Habitação em fevereiro.

EDUCAÇÃO E ALIMENTOS

Por outro lado, o grupo Educação registrou a maior alta em fevereiro, de 5,40 por cento, contribuindo com 0,24 ponto percentual no índice.

De acordo com o IBGE, o resultado é reflexo dos reajustes praticados no início do ano letivo, com destaque para o aumento de 6,91 por cento das mensalidades dos cursos regulares, item de maior impacto individual no mês, com 0,19 ponto percentual.

“A inflação de fevereiro teve dois destaques opostos”, disse a jornalistas a coordenadora da pesquisa do IBGE, Eulina Nunes dos Santos. “Por um lado, a Habitação puxou a inflação para baixo por causa da energia elétrica, um reajuste pontual e estrutural, e por outro a Educação, um item indexado mas que teve um aumento relativamente alto.”

O grupo Alimentação e bebidas, que vêm pesando sobre os indicadores de inflação, desacelerou a alta a 1,45 por cento em fevereiro, ante 1,99 por cento em janeiro, com impacto de 0,35 ponto percentual do IPCA do mês.

“Os alimentos subiram menos do que em janeiro, mas ainda subiram muito, por causa do clima. A nova safra já está começando a escoar, mas ainda é impossível dizer quando começará a ter efeito sobre o índice, porque depende de cada lavoura”, acrescentou Eulina.

Para Serrano, “o problema é a inflação de serviços”, que segue elevada. “Alimentação só está ajudando a aumentar o problema. Mas o governo deve estar estudando alguma medida emergencial de desoneração da cesta básica para melhorar essa dinâmica da inflação.”

Embora o impacto da queda dos preços de energia tenda a sair da conta a partir de março, a expectativa é de arrefecimento dos preços da educação por conta da sazonalidade e também dos alimentos.

“Projetamos que o efeito defasado e irregular (da desaceleração) no atacado, somado a uma devolução, ainda que parcial, de produtos in natura, intensificará a desaceleração do grupo Alimentação e bebidas do IPCA em março, tendo continuidade em abril”, avaliou a equipe da LCA em nota.

O grupo Despesas Pessoais registrou alta mensal de 0,57 por cento em fevereiro, bem menor do que o 1,55 por cento visto em janeiro.

Segundo analistas, 72,3 dos itens pesquisados pelo IBGE registraram alta de preços em fevereiro, uma taxa levemente menor do que em janeiro, mas ainda bastante alta.

JUROS

Os números divulgados nesta manhã colocam mais pressão sobre o Banco Central, que já havia reconhecido que a inflação não deve convergir para o centro da meta neste ano mas vinha dizendo não acreditar que ela pudesse estourar o teto neste período.

Na última quarta-feira, o Copom manteve a taxa básica de juros Selic em 7,25 por cento ao ano, mas deixou a porta aberta para a elevação dos juros no futuro.

Nesta manhã, depois de o IBGE mostrar que a inflação em 12 meses chegou a 6,31 por cento e os contratos de juros futuros saltarem, intensificando as apostas de uma alta da taxa Selic em abril ou maio, o governo, por meio do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, voltou a dizer que a inflação está sob controle.

Mas o mercado deve seguir atento a novas comunicações do BC para calibrar suas previsões sobre os próximos passos da política monetária.

“Os dados de inflação aumentam significativamente a probabilidade de o BC dar início a um aperto do ciclo já em abril”, disse Enestor Dos Santos, do BBVA, em nota.

“Embora por enquanto mantenhamos a projeção de Selic estável em 7,25 por cento, a ata da última reunião deverá fornecer uma indicação adicional e nos ajudar a moldar nossa visão das condições monetárias à frente”, acrescentou.

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