April 2, 2013 / 12:06 PM / 4 years ago

Produção industrial tem em fevereiro pior resultado em 4 anos

6 Min, DE LEITURA

Linha de montagem de carros da Ford em Sao Bernardo do Campo, São Paulo. A produção industrial brasileira recuou 2,5 por cento em fevereiro, o pior resultado mensal em pouco mais de quatro anos, afetada pelo mau desempenho do setor de bens de consumo e colocando em risco a recuperação da atividade econômica do país. 14/06/2012.Paulo Whitaker

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 2 Abr (Reuters) - A produção industrial brasileira recuou 2,5 por cento em fevereiro afetada pela queda dos bens de consumo, no pior resultado mensal em pouco mais de quatro anos, mostrando as dificuldades para a recuperação da atividade econômica do país.

Na comparação com fevereiro de 2012, houve uma contração de 3,2 por cento, informou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Pesquisa da Reuters previa queda de 2,05 por cento na medição mensal e de 2,40 por cento na anual, segundo a mediana das projeções de 20 analistas.

O desempenho de fevereiro acabou praticamente anulando a expansão de 2,6 por cento de janeiro (dado revisado do crescimento de 2,5 por cento divulgado anteriormente), e foi o pior número mensal desde dezembro de 2008, quando a produção teve contração de 12,2 por cento.

"O setor deve continuar a ter uma performance pior em relação a outros setores da economia, particularmente serviços, dado um real ainda sobrevalorizado, questões de custos de competitividade e demanda externa baixa", avaliou o diretor de pesquisa econômica do Goldman Sachs para América Latina, Alberto Ramos, em nota.

Pelas categoria de uso, o destaque foi a queda de 4,2 por cento da produção de Bens de consumo, sendo 6,8 por cento entre os duráveis e 2,1 por cento entre os semiduráveis e não duráveis. O recuo dos duráveis foi o mais forte desde setembro de 2011 (-8,2 por cento), causado pela queda dos automóveis.

Em fevereiro, houve queda mensal de 9,1 por cento na produção do setor de veículos automotores, eliminando o avanço de 6,2 por cento verificado em janeiro último.

"Do lado dos bens duráveis, há um menor dinamismo para carros e mobiliário por conta do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) voltando ao normal até o fechamento da pesquisa. Houve também perdas na linha branca e marrom", disse o economista André Macedo, do IBGE. Mobiliário caiu 9,9 por cento.

No final de semana passado, o Ministério da Fazenda anunciou a prorrogação até 31 de dezembro das atuais alíquotas menores do IPI para automóveis e caminhões, que deveriam subir a partir de 1º de abril, medida que se junta aos estímulos que o governo vem adotando para incentivar a indústria.

"A surpresa negativa, juntamente com os indicadores de março, conhecidos até então, sugere expansão da indústria inferior a 1 por cento no primeiro trimestre", escreveu o diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Octavio de Barros.

A produção de Bens intermediários caiu 1,3 por cento sobre janeiro.

Entre os ramos de atividade, além de veículos automotores e de mobiliário, outros 13 dos 27 pesquisados mostraram queda de produção. Também foram destaques negativos os ramos farmacêutico (10,8 por cento) e refino de petróleo e produção de álcool (5,8 por cento).

^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^

Gráfico dados da indústria: link.reuters.com/xaw47s

^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^

Investimentos

O dado positivo de fevereiro foi o crescimento de 1,6 por cento dos Bens de Capital, ligados aos investimentos, levando o acumulado no ano a uma alta de 13,3 por cento.

O IBGE explicou que o crescimento em 2013 está relacionado a uma base de comparação depreciada no ano passado, incentivos tributários do governo e produção mais forte no segmentos agrícola e de caminhões.

"Bens de capital começam a recuperar a queda apresentada ao longo do ano passado, e isso mostra que o nível de investimento está aumentando, o que é importante dada a nossa necessidade de ampliação da formação bruta de capital fixo", destacou o economista da Austin Rating Felipe Queiroz.

As medidas adotadas pelo governo, aliadas à perspectiva de obras para a Copa do Mundo de 2014 e para a Olimpíada de 2016, além da base de comparação baixa do ano passado, alimentam as expectativas entre analistas de uma leve recuperação da produção industrial ao longo deste ano.

Esse discurso também foi defendido nesta terça-feira pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em apresentação à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. De acordo com ele, há sinais consistentes de recuperação da indústria, com indicadores antecedentes sugerindo crescimento no primeiro trimestre.

Mas o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do setor, divulgado na segunda-feira, mostrou que a expansão em março foi a mais fraca em três meses em março.

Dilemas De política

A dificuldade do setor em deslanchar aprofunda o dilema do BC para a definição da política monetária, uma vez que o país enfrenta ao mesmo tempo inflação elevada e baixo crescimento. Diante disso, analistas destacam que seria improvável alta da Selic, atualmente na mínima de 7,25 por cento, no curto prazo.

Os contratos de juros futuros caíram nesta sessão após os dados industriais darem força ao discurso do BC de cautela na condução da política monetária.

"O nível fraco de produção acaba contribuindo para a manutenção da taxa de juros no curto prazo", disse Queiroz, da Austin Rating.

"O problema da inflação hoje não é a demanda, mas sim a oferta, e aumentar a Selic não amplia a oferta porque não temos capacidade produtiva", acrescentou Queiroz, para quem o juro básico só sobe nas duas últimas reuniões do ano, em outubro e novembro.

Pela última pesquisa Focus do Banco Central, o mercado vê a Selic fechando o ano a 8,50 por cento, apostando que sua primeira elevação ocorra em maio. Já as previsões para o crescimento da produção industrial e do Produto Interno Bruto (PIB) são 3,12 e 3,01 por cento, respectivamente.

Reportagem adicional de Jeb Blount no Rio de Janeiro

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below