Eleição presidencial não diminui pressão sobre Irã, dizem EUA
Por Adrian Croft
LONDRES (Reuters) - O Irã não deve acreditar que a mudança de governo em 2009 nos EUA aliviará a pressão internacional contra o programa nuclear do país, disse na quinta-feira o embaixador de Washington junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), Gergory Schulte.
"De alguma forma a liderança iraniana pode achar que vai sair da mira durante algum tempo. Eles precisam entender que nossa diplomacia ponderada diz que eles não sairão da mira", afirmou Schulte a jornalistas.
Ele respondia a uma pergunta sobre a possibilidade de a transição nos EUA -- entre a eleição de novembro e a posse do novo presidente, em janeiro -- acabar atenuando a pressão sobre o Irã, que insiste no caráter pacífico do seu programa nuclear, apesar de já ter sido submetido a três pacotes de sanções da ONU por causa dele.
No fim de semana, seis potências mundiais deram ao Irã duas semanas para responder a um pacote que oferece benefícios políticos e econômicos em troca da suspensão das atividades de enriquecimento de urânio.
"Parte da estratégia é mantê-los atados, mas também garantir que, se não tivermos um resultado negociado, o próximo governo, seja quem for o presidente, estará na posição mais forte possível para continuar o trabalho", disse o diplomata.
Tanto o republicano John McCain quanto o democrata Barack Obama dizem repetidamente que não vão permitir que o Irã tenha armas nucleares ou ataque Israel.
Schulte disse que a oferta feita pelas seis potências ao Irã é "muito generosa" e que enquanto o país não aceitá-la "sanções vão permanecer em vigor e até crescer".
Para o norte-americano, novas sanções unilaterais dos EUA e da UE também devem contribuir para "um tipo de discussão que parece estar ocorrendo entre a elite iraniana, sobre entrar ou não em negociações sérias".
"Acho que há uma perspectiva de termos sucesso diplomaticamente, mas para tanto é necessária uma pressão sustentada, combinada com uma oferta para negociar, e essa é exatamente a estratégia que adotamos."
© Thomson Reuters 2008 All rights reserved.

