14 de Abril de 2008 / às 14:23 / em 10 anos

Ex-rebeldes maoístas ampliam vantagem em eleição no Nepal

Por Gopal Sharma

KATMANDU, Nepal (Reuters) - Os ex-rebeldes maoístas do Nepal ampliaram sua vantagem nas eleições que devem selar o futuro político do país criando uma nova República no Himalaia, mostraram as cifras mais recentes da apuração de votos, divulgadas na segunda-feira.

Os resultados do pleito de quinta-feira passada para determinar a composição de uma assembléia constituinte e abolir formalmente a monarquia hindu do Nepal, existente há 240 anos, apontavam os maoístas conquistando 101 das 178 cadeiras cujos ocupantes foram declarados até agora, disse o Comitê Eleitoral.

Os ex-rebeldes lideravam a corrida para outras oito vagas cuja contagem dos votos ainda se desenrolava.

Em sua campanha eleitoral, os maoístas abandonaram muitas de suas políticas esquerdistas, como a nacionalização, para aderir a um programa prevendo investimentos estrangeiros e a formação de parcerias entre os setores público e privado.

A vitória dos ex-rebeldes poderia criar um governo voltado principalmente para melhorar as condições de vida em um dos países mais pobres do mundo.

Mas o sucesso dos maoístas representará um desafio para os EUA, que sempre se opuseram a negociar com os rebeldes e que ainda os consideram um grupo terrorista. O mesmo deve dar-se com a Índia, que enfrenta uma insurgência maoísta.

Apesar de seu bom desempenho nas urnas até agora, um complicado sistema eleitoral deve impedir que os ex-rebeldes conquistem uma maioria absoluta na nova assembléia, encarregada também de administrar o país durante ao menos dois anos.

A provável vitória deles deixou intrigados muitos analistas, que colocavam os maoístas em terceiro lugar na corrida eleitoral.

Os favoritos anteriores para liderar a disputa haviam sido o Partido Comunista (Marxitas-Leninistas Unidos) -- conhecidos como UML Comunista -- e o Congresso do Nepal, que elegeram até agora 24 e 30 deputados respectivamente.

O Fórum Madheshi dos Direitos Populares, que organizou muitos dos protestos realizados no último ano por um grupo étnico das planícies sulistas do Nepal, ficou com 15 cadeiras.

“Isso é incrível. Isso é uma fragorosa derrota, especialmente para o Congresso do Nepal e para o UML”, disse Rhoderick Chalmers, chefe para o Nepal do Grupo Crise Internacional, uma entidade de pesquisa com sede em Bruxelas.

“Acho que se trata de uma votação realizada em nome da mudança, uma mudança na forma de fazer política e uma mudança na forma como o Estado atua.”

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