Igreja não pode reconhecer divórcios e novas uniões, diz papa
Por Philip Pullella
LOURDES, França (Reuters) - O papa Bento 16disse neste domingo que a Igreja não poderia reconhecer "uniões irregulares" de católicos que se divorciam e se casam de novo fora da instituição.
"As iniciativas com o objetivo de abençoar uniões irregulares não podem ser admitidas", disse Bento 16 em um discurso para bispos franceses no santuário da cidade de Lourdes.
A Igreja se esforça para decidir como administrar a questão dos católicos que se divorciam e depois se casam novamente, sem que a primeira união tenha sido anulada, mas querem permanecer inteiramente ativos na Igreja. A anulação do casamento é uma declaração eclesiástica de que a primeira união é nula e inválida.
A Igreja Católica não reconhece o divórcio, considera apenas o primeiro casamento válido e ensina que aqueles que se divorciam e se casam de novo não podem receber a comunhão, a não ser que se abstenham de manter relações sexuais com seu novo cônjuge.
Apesar de bispos de diversos países pressionarem por alguma abertura nesta questão difícil, o papa disse que a Igreja não poderia modificar seus ensinamentos sobre a indissolubilidade do matrimônio porque ele foi instituído por Cristo.
Em outras declarações, o papa ordenou aos bispos que abram espaço para os tradicionalistas que rezam a missa em latim.
Uma decisão papal no ano passado, permitindo a prática mais ampla da missa no estilo antigo -- medida reivindicada por décadas por tradicionalistas, com a oposição dos liberais -- encontrou resistência em alguns países, em especial a França.
Mas o papa se manteve firme em sua posição. "Todo mundo tem um lugar na Igreja. Toda pessoa, sem exceção, deveria estar apta a se sentir em casa e nunca rejeitada", disse ele sobre aqueles que preferem a missa em latim em vez da nova liturgia nas línguas modernas, introduzida depois do término do Segundo Concílio do Vaticano, em 1965. Continuação...

