Equador e Colômbia têm novos atritos na fronteira

segunda-feira, 31 de março de 2008 18:07 BRT
 

Por Carlos Andrade García

QUITO (Reuters) - A crise diplomática entre Equador e Colômbia se agravou na segunda-feira, depois que o governo equatoriano anunciou ter iniciado um processo no Tribunal Internacional de Haia por causa da fumigação da fronteira comum contra os cultivos de coca, enquanto as autoridades colombianas acusaram o país vizinho de violar seu espaço aéreo.

Os dois países mergulharam numa grave crise neste mês por causa de uma ação militar colombiana contra um acampamento da guerrilha Farc em território equatoriano. O Equador e a Venezuela, sua aliada, chegaram a enviar tropas às fronteiras com a Colômbia, mas a tensão se dissipou dias depois com apertos de mãos numa cúpula na República Dominicana.

Agora, o Equador busca indenizações pelas fumigações realizadas até um ano atrás pela Colômbia na região da fronteira, como parte de sua política antidrogas.

"As aspersões levadas a cabo pela Colômbia constituem uma grave violação da soberania do Equador e dos princípios mais básicos do direito internacional", disse a chanceler María Isabel Salvador, em nota à imprensa.

A Colômbia destacou que um helicóptero militar equatoriano violou no domingo seu espaço aéreo e que, apesar de sua interceptado pela aviação colombiana, não deu nenhuma explicação para a invasão. O helicóptero teria regressado em seguida para o Equador, que não se pronunciou. Segundo autoridades da Colômbia, a bordo estavam dois pilotos e dois passageiros fardados.

"Uma vez no ar, o helicóptero equatoriano, escoltado por dois helicópteros colombianos, desceu surpreendentemente e empreendeu vôo rasante, rumo ao sul", disse um comunicado colombiano.

O processo em Haia reaviva um velho conflito sobre as supostas seqüelas que os produtos químicos usados no combate à coca provocam nos moradores da região fronteiriça.

Os dois países haviam definido a suspensão dessas fumigações aéreas numa faixa de 10 quilômetros a partir da fronteira, onde seriam substituídas por fumigações manuais. Mas o Equador sempre insistiu no caráter nocivo dos produtos para os moradores e seus cultivos.

"Por não restar outro recurso, e depois de sete anos de esforços diplomáticos infrutíferos e frustrantes, o Equador apresentou uma demanda perante a Corte Internacional de Justiça", disse a chanceler equatoriana, sem citar prazos para uma sentença.