Ex-agente de Pinochet é condenado à prisão perpétua no Chile

segunda-feira, 30 de junho de 2008 17:09 BRT
 

SANTIAGO (Reuters) - Um juiz chileno condenou à prisão perpétua o ex-chefe da polícia secreta de Augusto Pinochet pelo assassinato do antigo comandante do Exército Carlos Prats e sua esposa, Sofía Cuthbert, em Buenos Aires, há 34 anos. A condenação é a maior até agora para crimes cometidos durante a ditadura.

Manuel Contreras, ex-chefe de operações da repressora Direção Nacional de Inteligência Nacional (Dina), está preso por outros casos de violação aos direitos humanos durante a ditadura militar que comandou o país entre 1973 e 1990.

O magistrado Alejandro Solís anunciou a sentença de Contreras pelo crime de homicídio qualificado de Prats e Cuthbert, cujo carro foi alvo de um ataque a bomba, e ainda decretou a prisão de outros oito agentes da Dina envolvidos no ataque.

"Esta condenação faz justiça por tudo o que viveram nossos pais", disse a jornalistas no tribunal Angélica Prats, uma das filhas do ex-chefe militar do ex-presidente Salvador Allende.

O governo chileno destacou os avanços nos casos de desrespeito aos direitos humanos no país.

"Não é fácil investigar as causas de violações aos direitos humanos, primeiro não se pôde porque havia uma ditadutra que impedia, e depois nem sempre se contava com a colaboração ou informação necessárias, por isso é muito importante que se possa esclarecer todos os casos de direitos humanos", disse a jornalistas o ministro da Justiça, Carlos Malonado.

Durante a ditadura, cerca de 3.000 pessoas foram mortas por razões políticas e outras 28.000 sofreram torturas, incluindo a atual presidente Michelle Bachelet.

(Reportagem de Erik López, com reportagem adicional de Bianca Frigiani)