31 de Dezembro de 2008 / às 20:17 / 9 anos atrás

Israel recusa apelos por trégua e mobiliza tropas

Por Nidal al-Mughrabi

GAZA (Reuters) - Israel rejeitou nesta quarta-feira apelos para um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza. Os israelenses intensificaram preparativos para uma possível ofensiva por terra, depois que foguetes de longo alcance do Hamas atingiram um centro populacional importante.

Os aviões israelenses realizaram mais dez ataques. No tempo chuvoso, o número de bombardeios se reduziu, o que permitiu aos moradores de Gaza irem aos mercados pela primeira vez desde o início da ofensiva de cinco dias.

O tempo chuvoso, "uma trégua imposta por Deus", como descreveu um palestino, pode vir postergar uma possível entrada dos tanques israelenses na Faixa de Gaza. Pela previsão do tempo, o céu estará aberto por dias a partir do fim desta quinta-feira.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, falou por telefone com o premiê israelense, Ehud Olmert, mas não discutiu um cronograma para suspender os ataques, segundo a Casa Branca. Bush pôs o ônus do conflito no Hamas. Caberia ao grupo dar o primeiro passo e parar com os ataques a foguete.

As pressões internacionais cresceram sobre os dois lados do conflito, para um fim nas hostilidades. Israel, no entanto, disse que não era realista uma proposta francesa de uma trégua de 48 horas, para que a ajuda humanitária chegasse aos habitantes da Faixa de Gaza.

"Se as condições amadurecerem, e nós pensamos que haverá uma solução diplomática que assegurará mais segurança no sul, nós consideraremos. No momento, contudo, ainda não estamos lá", afirmou Olmert, segundo um assessor.

"Não começamos essa operação para terminá-la com foguetes continuando a ser disparados, como já eram disparados antes de começarmos", disse Olmert, de acordo com esse assessor. "Imagine se declaramos um cessar-fogo e daqui a alguns dias foguetes atingem a cidade de Ashkelon. Que efeito isso terá no poder israelense de defesa?"

Olmert fez os comentários, que não descartaram uma trégua no futuro, para os responsáveis pela área de segurança do seu gabinete.

O Hamas, por sua vez, se disse preparado para estudar propostas de cessar-fogo, desde que isso "traga a suspensão imediata da agressão e termine com o bloqueio (à área controlada pelo Hamas)", segundo Ayaman Taha, representante do grupo.

Com os palestinos cada vez mais enfurecidos com a ofensiva, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, defendeu que o conflito termine "imediatamente" e afirmou que Israel é "totalmente responsável" pela violência.

Os ataques aéreos à Faixa de Gaza já mataram 393 palestinos, pelo menos um quarto deles, segundo dados das Nações Unidas, civis.

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