Apesar do barulho, cúpula do Bric termina sem nada de impacto
Por Chris Buckley
ECATERIMBURGO, Rússia (Reuters) - Apesar de ter feito muito barulho quanto a desafiar o status quo das finanças internacionais, a primeira cúpula das potências emergentes do Bric foi uma performance pouco expressiva, demonstrando as dificuldades que seus membros enfrentam para formar um bloco coeso.
A reunião de líderes do Brasil, Rússia, Índia e China por poucas horas na cidade russa de Ecaterimburgo na terça-feira nunca poderia produzir um projeto de reforma internacional.
Mas o comunicado final do encontro trouxe poucos dados específicos. Não mencionou a criação de uma moeda de reserva supranacional para diluir o domínio do dólar, uma ideia que a Rússia tem promovido fortemente.
"Presidentes não assimilaram a moeda de reserva" foi a manchete do diário russo Kommersant na reportagem sobre o encontro.
Em vez disso, as quatro potências econômicas emergentes díspares se apresentaram como uma ampla frente comum para tentar serem mais ouvidas em negociações com as potências ricas, disse Gregory Chin, da Universidade de York, em Toronto.
"Isto (a cúpula) era para se certificarem de que os interesses das nações em desenvolvimento continuem a receber atenção nos encontros do G8 e do G20," disse Chin, que está estudando o papel internacional dos Brics e outras economias emergentes.
A próxima cúpula do Grupo dos Oito, que reunirá as potências mundiais, será realizada em julho, na Itália, e a do Grupo dos 20 terá lugar nos Estados Unidos no fim do ano.
Para terem influência de fato, os governos do Bric precisam concordar com metas comuns que vão além de simplesmente pedir mais lugares nas principais mesas de negociação do mundo. Continuação...

