5 de Agosto de 2009 / às 17:10 / 8 anos atrás

Crise empurra homens para terapia e mulheres, para as compras

Por Katie Reid e Silke Koltrowitz

ZURIQUE (Reuters) - O desejo de usar uma bolsa diferente em cada ocasião está protegendo da crise econômica os maiores fabricantes de artigos luxuosos de couro, já que as mulheres mostraram ser gastadoras mais consistentes do que os homens.

As bolsas da Louis Vuitton e da Hermès continuam entre as mais procuradas entre os artigos de luxo, se comparadas com a fraca demanda por relógios, um setor tradicionalmente dominado pelos homens.

A especialista em marketing para homens e mulheres Diana Jaffe disse que a incerteza sobre o emprego causada pelo declínio econômico representou uma ameaça à identidade masculina, levando os homens a cortar os gastos. Já as mulheres tomam medidas para se animarem, gastando com algo que lhes dê prazer.

"As mulheres também estão preocupadas com seus empregos, mas não a ponto de sentirem que sua mera existência esteja sendo ameaçada e, portanto, estão com disposição para comprar, apesar da crise", disse Jaffe.

Alguns homens pararam de ostentar artigos que chamam a atenção, que poderiam ser considerados como falta de gosto em uma época de austeridade, enquanto outros não têm a capacidade de pensar em gastar com itens luxuosos, afirmou Jaffe.

"Muitos gerentes homens estão sofrendo com uma grande perda de status, muitos se sentem sob grande pressão ou sofrem de fadiga extrema. Eles simplesmente não têm condições de pensar em comprar mercadorias luxuosas e preferem ir a um terapeuta", acrescentou.

Bancos, seguradoras e consultorias de ativos cortaram cerca de 400.000 empregos em todo o mundo desde o início da crise de crédito em agosto de 2007, o que afetou lojistas que vendem para os profissionais que adoram artigos de luxo.

A exportação de relógios suíços desabou 26 por cento no primeiro semestre deste ano e a indústria está enfrentando a pior queda na demanda em cerca de 20 anos. Já o grupo francês de artigos de luxo Hermès constatou aumento de 28 por cento nas vendas na primeira metade do ano em sua unidade de artigos de couro e selaria.

As mulheres também estão mais acostumadas a lidar com as mudanças em vários aspectos em suas carreiras, o que faz com que seja mais fácil para elas enfrentar esta crise financeira, disse Eva Kreienkamp, diretora de marketing da agência FrischCo.

"Os homens são mais afetados psicologicamente pela crise do que as mulheres. Uma bolsa pode ser comprada por impulso, mas um relógio ou uma jóia, não", disse Armando Branchini, secretário-geral da associação italiana que representa as mercadorias luxuosas, a Altagamma.

Mas a cobiça por uma bolsa não é o único fator que impulsiona grupos como LVMH e Hermès.

Essas empresas estão se beneficiando da ampla rede própria de lojas, o que facilita o controle do estoque que chega às prateleiras.

Os fabricantes de relógios, por sua vez, são mais dependente de lojistas independentes, que atualmente procuram reduzir o nível de seus estoques e freiam novas encomendas.

Além disso, bolsas e outros artigos de couro são mais acessíveis do que relógios de primeira linha, que custam mais, disse Jon Cox, analista da Kepler Capital Markets.

"Quando se trata de artigos luxuosos, podem ser itens de preço mais elevado -- de pelo menos 10.000 dólares -- ou modelos de maior prestígio, a partir de 50.000 dólares. Acho que a categoria mais moderada de luxo está em alta porque é mais acessível", afirmou Cox.

Reportagem adicional de Marie-Louise Gumuchian, em Milão

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