Congresso hondurenho adia votação sobre restituição de Zelaya
Por Mario Naranjo e Gustavo Palencia
TEGUCIGALPA (Reuters) - Os líderes do Congresso de Honduras decidiram nesta terça-feira pedir a opinião da Suprema Corte sobre a possibilidade de restituir o presidente deposto, Manuel Zelaya, adiando a convocação de uma sessão chave para debater o futuro do líder.
A decisão, informada à Reuters por dois parlamentares, desafia o acordo fechado na semana passada entre os negociadores de Zelaya e do governo de facto, sob a mediação de Washington, cujo ponto central é que o Congresso decida sobre a volta ao poder do mandatário deposto.
"Confirmado, foi decidido enviar à Corte, ao Ministério Público e à Procuradoria Geral da República", disse à Reuters Antonio Rivera, subchefe de bancada do Partido Nacional. "Vamos nos reunir assim que tivermos os relatórios dos três órgãos", acrescentou.
A decisão da direção do Congresso não foi unânime. Três dos 13 membros votaram contra o pedido de opinião à Suprema Corte e tentaram fixar um prazo de 24 horas para que os órgãos consultados dessem seu parecer e, assim, pudesse ser convocada a sessão para votar o futuro de Zelaya.
"A maioria votou por enviar à Corte Suprema, mas houve votos contra dos que queriam que se votasse a restituição imediatamente", disse à Reuters o deputado Marvin Ponce, do movimento Unificación Democrática, pró-Zelaya.
Os parlamentares estão em recesso devido à campanha eleitoral para as eleições presidenciais de 29 de novembro.
Zelaya disse que se até quinta-feira não for restituído na presidência, a comunidade internacional não reconheceria as eleições gerais convocadas para 29 de novembro. A votação poderia acabar com a pior crise política na América Central em décadas.
O acordo também prevê a formação nesta semana de um governo de unidade nacional, mas o prazo depende da decisão dos líderes parlamentares. Continuação...

