Decisão sobre crucifixo nega raízes da Europa, diz Berlusconi

quarta-feira, 4 de novembro de 2009 17:14 BRST
 

Por Stephen Brown

ROMA (Reuters) - O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, disse na quarta-feira que a determinação da Corte Europeia de Direitos Humanos de que os crucifixos sejam retirados das salas de aula na Itália foi uma tentativa sem sentido de negar as raízes cristãs da Europa.

O país, de maioria católica romana, reagiu com indignação à decisão, anunciada na terça-feira pela corte com sede em Estrasburgo, na França, que considerou que os crucifixos espalhados nas paredes das escolas italianas poderiam perturbar crianças que não sejam cristãs.

O primeiro-ministro conservador disse a um programa de televisão que a sentença era uma tentativa de "negar as raízes cristãs" da Europa. "Isso não é aceitável para nós, italianos", afirmou.

Berlusconi argumentou que a Itália tem tantas igrejas que as pessoas "apenas precisam andar 200 metros para a frente, para trás, para a direita ou para a esquerda para encontrar um símbolo da cristandade".

"Essa é uma daquelas decisões que com frequência nos faz duvidar do bom senso da Europa", disse o primeiro-ministro, confirmando que a Itália vai apelar da sentença tão logo seu gabinete a avalie, em sua reunião semanal, na sexta-feira.

O Vaticano expressou "choque e tristeza" com a determinação da corte, que foi condenada por várias correntes políticas, em um raro momento de união entre políticos italianos. Somente alguns partidos de extrema esquerda e grupos ateístas apoiaram a decisão da corte.

Prefeitos de todo o país disseram que não vão cumprir a sentença. Também houve reações iradas de redutos católicos no exterior, como a Polônia. Milhares de pessoas protestaram em redes de relacionamento social na Internet.

"No terceiro milênio a Europa só está nos deixando abóboras do Halloween (o dia das bruxas), ao mesmo tempo em que nos tira nossos símbolos adorados", disse o número 2 do Vaticano, cardeal Tarcicio Bertone.  Continuação...

 
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