Fracassa pacto para governo de unidade nacional em Honduras

sexta-feira, 6 de novembro de 2009 19:51 BRST
 

Por Fiona Ortiz

TEGUCIGALPA (Reuters) - Um acordo para colocar fim a quatro meses de crise política em Honduras fracassou nesta sexta-feira depois que os dois líderes rivais não chegaram a um entendimento para formar um governo de unidade nacional e assim reparar os danos causados pelo golpe militar de junho.

O presidente deposto, Manuel Zelaya, declarou o pacto morto apenas uma semana depois de ter sido assinado e pediu aos hondurenhos que boicotem as eleições presidenciais. Em uma iniciativa inesperada, o líder de facto, Roberto Micheletti, começou a formar um novo governo sem Zelaya.

O fracasso de um acordo conduzido pelos Estados Unidos para encerrar a crise deixa dúvidas sobre se os governos de outros países vão reconhecer a eleição presidencial de Honduras, marcada para 29 de novembro, e significa que qualquer novo governo poderá herdar a caótica situação política e ser excluído da ajuda internacional, vital para o país.

Até quinta-feira, Zelaya e Micheletti haviam concordado em formar um governo de unidade, mas, então, começaram a se desentender sobre quem iria dirigir o gabinete até que o Congresso decida se reconduz o presidente deposto ao cargo.

Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, que pressionou as duas partes a firmarem o acordo, na semana passada, tentou minimizar o colapso, dizendo: "O único prazo final era o da formação do governo de unidade nacional, que foi concretizado."

Mas o dirigente da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, deplorou a ruptura e fez um chamado aos dois homens para que cumpram os acordos e restabeleçam o presidente democraticamente eleito "sem novos subterfúgios."

Zelaya, que foi deposto e enviado ao exílio em um golpe em 28 de junho, insistiu que não retornará à mesa de negociação.

"É impossível. A coisa está completamente exaurida e não faz nenhum sentido continuar", disse ele a uma rádio chilena, falando desde a embaixada do Brasil, em Tegucigalpa, onde está abrigado desde que voltou ao país às escondidas, em 21 de setembro.  Continuação...

 
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