Senado decide se Lugo perde presidência do Paraguai na sexta-feira
Por Daniela Desantis e Didier Cristaldo
ASSUNÇÃO, 21 Jun (Reuters) - O Congresso paraguaio iniciou nesta quinta-feira um processo de impeachment contra o presidente Fernando Lugo por causa da acusação de incompetência numa ação de reintegração fundiária que resultou na morte de 17 policiais e camponeses na semana passada. O Senado decidirá na sexta-feira o destino dele.
Abandonado por aliados políticos, o presidente se negou a renunciar e prometeu se defender no julgamento político de sexta-feira à tarde, do qual pode sair destituído do cargo.
Numa votação sumária e com resultado quase unânime, a Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira o início do processo de impeachment, e o Senado mais tarde definiu as regras e marcou a sessão para as 16h30 de sexta-feira (17h30 em Brasília).
"Este presidente anuncia que não apresentará renúncia ao seu cargo e que se submete com absoluta obediência à Constituição e às leis ao enfrentar o julgamento político com todas as suas consequências", disse Lugo em pronunciamento à nação no palácio de governo.
"Não existe nenhuma causa válida, nem política, nem jurídica, que me faça renunciar a este juramento", acrescentou.
Se for condenado pelo Senado pela acusação de prevaricação, permitindo a escalada dos conflitos sociais, Lugo perderá o cargo.
Alguns críticos acusam o presidente, um ex-bispo católico, de nutrir simpatias pelos camponeses que emboscaram os policiais que cumpririam uma reintegração de posse de uma fazenda no nordeste paraguaio.
"Após a determinação da Câmara dos Deputados, e tendo em mente que os mesmos partidos estão representados no Senado, não vejo razão para não vermos um forte apoio ao impeachment", disse o senador Marcelo Duarte, de centro-direita. Continuação...

