ONU acusa Assad por violações alarmantes aos direitos humanos

quarta-feira, 27 de junho de 2012 11:12 BRT
 

Por Stephanie Nebehay

GENEBRA, 27 Jun (Reuters) - As forças do governo sírio têm cometido violações aos direitos humanos "em escala alarmante" nos últimos três meses, incluindo execuções, segundo um relatório divulgado nesta quarta-feira por uma equipe de investigadores da ONU sob comando do brasileiro Paulo Pinheiro.

O grupo disse não ter sido possível identificar os autores do massacre de mais de cem pessoas em maio na localidade de Hula, mas ressaltou que "forças leais ao governo podem ter sido responsáveis por muitas das mortes".

O relatório cita também mortes cometidas pela oposição armada, que cada vez mais usa explosivos improvisados em sua rebelião contra o presidente Bashar al Assad.

"A situação no terreno está se deteriorando de forma perigosa e rápida", disse o relatório de 20 páginas, citando o uso de metralhadoras, canhões e tanques em ataques do governo contra áreas rebeladas na cidade de Homs.

"No contexto cada vez mais militarizado, violações aos direitos humanos estão ocorrendo em todo o país numa escala alarmante durante as operações militares contra locais que supostamente abrigam desertores e/ou aqueles vistos como afiliados aos grupos armados antigoverno, inclusive o 'Exército Sírio Livre'."

Os investigadores também acusaram os rebeldes de estarem "usando crianças como maqueiros, mensageiros ou cozinheiros, expondo-as ao risco de morte e lesões".

Pinheiro fez no fim de semana sua primeira visita a Damasco, onde se reuniu com autoridades sírias. Ele apresentou o relatório ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.

O relatório se baseia em quase 400 entrevistas, além de fotos, vídeos, imagens de satélites e outras provas documentais.

 
Presidente sírio Bashar al-Assad discursa para novo governo em Damasco, Síria, nesta foto distribuída pela agência Sana. As forças do governo sírio têm cometido violações aos direitos humanos "em escala alarmante" nos últimos três meses, segundo relatório da ONU. 26/06/2012 REUTERS/Sana/Divulgação