Rainha Elizabeth cumprimenta ex-comandante do IRA
Por Conor Humphries
BELFAST, 27 Jun (Reuters) - Um inédito aperto de mãos entre a rainha Elizabeth 2a e o ex-comandante guerrilheiro do IRA Martin McGuinness marcou simbolicamente, nesta quarta-feira, o fim definitivo do conflito separatista que ao longo de décadas matou milhares de militares e civis, incluindo um primo da rainha.
O encontro com McGuinness, ex-chefe do Exército Republicano Irlandês (IRA, na sigla em inglês) e hoje vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte --área sob controle britânico--, acontece 14 anos após o IRA ter encerrado sua luta armada, num processo de paz que passou a ser estudado no mundo todo.
Ocorrido a portas fechadas num teatro de Belfast, o encontro entre a monarca e McGuinness é um dos últimos marcos nesse processo. Mas, num sinal das tensões que ainda existem, centenas de policiais isolaram o local, num arborizado subúrbio de classe média da capital regional.
Alguns militantes republicanos dissidentes e um grupo de vítimas de violência do IRA se opuseram ao encontro, mas a ampla maioria dos políticos locais viu o fato com satisfação. Nunca a rainha havia se reunido com um dirigente do IRA ou do seu braço político, o Sinn Fein.
"Hoje é um enorme evento e é, em certo sentido, o aperto de mãos máximo", disse à BBC o ex-secretário de Estado para a Irlanda do Norte John Reid.
"Em todos os níveis, esse é um passo enormemente significativo, mas é apenas mais um passo em um longo processo. Pode levar gerações voltar à reconciliação absoluta na Irlanda do Norte e na ilha da Irlanda."
McGuinness, que participa de um governo regional partilhado com os protestantes monarquistas, admite ter participado ativamente da luta separatista contra o domínio britânico, inclusive nos incidentes vinculados ao Domingo Sangrento (1972), quando soldados mataram 13 manifestantes desarmados. Ele diz, no entanto, que nunca matou ninguém.
O político afirma ter deixado o IRA em 1974, mas muitos historiadores acreditam que ele permaneceu ativo no grupo ao longo da maior parte da sua história.
Para a rainha, o conflito da Irlanda do Norte tem um componente pessoal. Em 1979, o lorde Mountbatten, primo dela, um neto dele de 14 anos e duas outras pessoas foram mortas pelo IRA na explosão de uma embarcação de lazer na costa irlandesa.
(Reportagem adicional de Ivan Little)
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