Equador concede asilo político a Assange e irrita Grã-Bretanha
Por Mohammed Abbas e Eduardo Garcia
LONDRES/QUITO, 16 Ago (Reuters) - O Equador concedeu asilo político ao fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, afirmou nesta quinta-feira o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, um dia depois de o governo britânico ameaçar invadir a embaixada do país sul-americano em Londres para prendê-lo.
A Grã-Bretanha afirmou que está determinada a extraditar o ex-hacker para a Suécia, onde é acusado de abuso sexual. Assange irritou Washington em 2010 quando o WikiLeaks publicou documentos diplomáticos secretos dos Estados Unidos.
"O Equador decidiu conceder asilo político a Julian Assange após o pedido enviado ao presidente", disse Patiño em entrevista coletiva em Quito.
Ele argumentou que a segurança pessoal de Assange corria riscos, que era provável a extradição para um terceiro país sem as garantias apropriadas e que evidência legal mostrou que ele não teria um julgamento justo se fosse eventualmente transferido para os Estados Unidos.
"É uma decisão soberana protegida pela lei internacional. Não faz sentido supor que isso implica uma quebra das relações (com a Grã-Bretanha)", acrescentou Patiño.
Mesmo depois da decisão do Equador, o destino de Assange está longe de uma definição: a A Grã-Bretanha diz que poderia remover o status diplomático da embaixada do Equador, o que exporia Assange à prisão imediata pelas autoridades britânicas.
"Nós não vamos dar salvo-conduto ao sr. Assange para sair do Reino Unido, nem existe uma base legal para que façamos isso", afirmou o secretário britânico de Relações Exteriores, William Hague, em entrevista à imprensa em Londres, depois do anúncio do Equador. "O Reino Unido não reconhece o princípio de asilo diplomático."
A situação poderá se prolongar por um tempo considerável e não existe nenhuma ameaça de invadir a embaixada equatoriana em Londres, onde Assange está abrigado, disse Hague. Continuação...

