Sul-africanos fazem memorial para vítimas de massacre em mina
Por David Dolan
MARIKANA, África do Sul, 23 Ago (Reuters) - Sul-africanos realizaram um memorial nesta quinta-feira em uma mina de platina onde a polícia matou a tiros 34 grevistas, em um derramamento de sangue que evocou lembranças da violência da era do apartheid e revelou a raiva dos trabalhadores sobre as desigualdades que suportam desde o fim do regime de domínio branco.
Cerca de 500 pessoas lotaram uma tenda montada na mina de platina, perto do que foi chamado de "Colina do Horror", onde a polícia matou 34 mineiros em greve, no mais violento incidente de segurança desde o fim do apartheid, em 1994.
Multidões ouviram hinos e orações, mulheres envolvidas em cobertores choraram e pessoas em luto colocaram flores no local. Outros memoriais ocorreram em todo o país, incluindo no centro de Johanesburgo.
"Tal assassinato de pessoas, de crianças, que não fizeram nada de errado e não tinham que morrer desse jeito", disse Baba Goloza, cujos dois filhos morreram. Ele culpou a proprietária da mina Lonmin por não cuidar de seus trabalhadores em sua mina de Marikana, a noroeste de Johanesburgo.
A violência entre sindicatos trabalhistas rivais expôs os altos níveis de irritação com os baixos salários e com o que é visto como favoritismo político na maior economia da África.
Dez pessoas morreram na guerra de territórios entre sindicatos rivais, incluindo dois policiais e um delegado sindical agredido até a morte com facões.
O incidente chamou a atenção para o fracasso do Congresso Nacional Africano (CNA) em diminuir a desigualdade de renda que permanece entre as maiores do mundo, enquanto muitos de seus membros são acusados de usar conexões políticas para ficar ricos.
A poderosa União Nacional dos Mineiros (NUM), um dos grupos rivais na Lonmin, tem sido uma plataforma para o poder político para vários altos funcionários do CNA -- o ex-movimento de libertação que está no poder desde o fim do apartheid. Continuação...

