Para Obama, palavras não ditas falaram mais alto
Por Samuel P. Jacobs
WASHINGTON, 4 Out (Reuters) - Durante uma hora e meia de debate na noite de quarta-feira, o presidente Barack Obama falou por quatro minutos a mais do que seu adversário republicano, Mitt Romney. Mas, ao final, a noite foi definida por aquilo que Obama não disse -- e isso foi bom para Romney.
Num debate que misturou temas banais de campanha e tediosos detalhes administrativos, deixaram de vir à tona os assuntos que a campanha de Obama há meses enfatiza para derrubar os índices de aprovação de Romney.
O presidente não mencionou, por exemplo, o trabalho de Romney na empresa de investimentos Bain Capital, sempre acusada pelos democratas de ter "matado" milhares de empregos nos EUA, ao transferir postos de trabalho para o exterior.
Obama também evitou repreender o rival por sua relutância em liberar mais do que dois anos de declarações de imposto de renda. Os democratas questionam se Romney --dono de uma fortuna estimada em até 250 milhões de dólares-- estaria escondendo algo, e também o criticam por manter milhões de dólares em contas no exterior.
Mas a omissão mais notável de Obama foi não ter pronunciado a cifra que domina a campanha nas últimas duas semanas: "47 por cento".
Esse seria o percentual do eleitorado cativo de Obama, formado, segundo Romney, por pessoas que não pagam impostos federais e que dependem de ajudas governamentais. A declaração aparece em um vídeo gravado secretamente durante um evento de arrecadação em maio, e divulgado no mês passado.
Muitos eleitores dizem que passaram a ver Romney de forma mais negativa depois da divulgação do vídeo, e quase 60 por cento dos entrevistados numa pesquisa Reuters/Ipsos acham que o candidato foi injusto em sua declaração.
Por isso, havia ampla expectativa de que Obama citaria o vídeo durante o debate de Denver, concebido para ser visto por 60 milhões de pessoas no país. Continuação...

