3 de Novembro de 2012 / às 20:18 / em 5 anos

ESPECIAL-Sandy mostra que hospitais nos EUA estão despreparados

Por Sharon Begley

NOVA YORK, 3 Nov (Reuters) - Kim Bondy estava em Nova Orleans há sete anos quando o furacão Katrina devastou a cidade e uma grande quantidade de pacientes morreu em hospitais inundados, sem energia elétrica. Ela nunca pensou que isso aconteceria com ela. Mas na noite de segunda-feira, quando a supertempestade Sandy deixou parte de Nova York submersa, Bondy foi um dos 215 pacientes evacuados do Centro Médico Langone da Universidade de Nova York, depois que a inundação do subsolo, causada pelo East River, cortou seu fornecimento de energia.

“Sabendo de tudo que aconteceu nos hospitais de Nova Orleans, pensei: ‘Não vou fazer parte dessa história’”, disse Bondy, de 46 anos, moradora de Nova Orleans, que foi hospitalizada no fim de semana, em Nova York, com obstrução intestinal. “Vocês não prestaram atenção ao que aprendemos com o Katrina?”

As falhas de equipamento no NYU e no Hospital Bellevue, que também fica lá perto, e é um dos mais antigos e mais movimentados hospitais do país, trouxe à tona o que especialistas em emergências têm alertado durante anos.

Apesar das amargas lições do passado recente, os hospitais americanos estão longe de estar prontos para proteger seus pacientes, quando o desastre atinge suas instalações.

Para a maioria dos hospitais, ‘estar preparado para emergências’ significa estar pronto para tratar um aumento repentino de pacientes devido a um terremoto ou a um ataque terrorista --desastres que acontecem fora de suas dependências.

Mesmo o programa federal que coordena a prontidão dos hospitais no Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS, na sigla em inglês), têm essa visão: eles se concentram no planejamento para calamidades e para relatar rapidamente o número de leitos disponíveis, e não em ter sistemas elétricos excedentes.

Para os administradores de hospitais, que precisam tentar manter as contas de suas instituições no azul, uma infraestrutura resistente a desastres é muito cara e não tem o mesmo ‘charme’ que salas de cirurgias robóticas e terapia de feixe de prótons contra o câncer, para atrair pacientes.

“As pessoas não escolhem hospitais pensando em quem tem o melhor gerador”, disse Art Kellerman, expert em preparação para atuar em emergências da Rand Corp.

RELUTÂNCIA EM INVESTIR

Uma pesquisa da Joint Commission, uma organização sem fins lucrativos que credencia mais de 19 mil hospitais e outros estabelecimentos de saúde, descobriu que apenas um terço pretendia aprimorar sua infraestrutura, disse o engenheiro chefe George Mills.

Nenhuma avaliação nacional concluiu se os hospitais podem sobreviver a um desastre, disse uma autoridade da HHS, que não quis ser identificada.

Infraestrutura resistente a tempestades não é barata.

Muitos hospitais não levam em consideração todas as ameaças potenciais. Enquanto Sandy se encaminhava para Nova York no fim de semana passado, os hospitais testaram seus geradores e garantiram às autoridades municipais que tinham combustível suficiente para fazê-los funcionar por vários dias, de acordo com todos os hospitais pesquisados.

“O sistema de energia de emergência do NYU foi projetado e construído de acordo com todos as normas de segurança”, disse Allison Clair, porta-voz do hospital. “Tínhamos certeza que poderíamos resistir à uma inundação (tempestade) de aproximadamente três metros e meio”, mas ela foi, pelo menos 30 centímetros mais alta.

Tudo poderia ter sido muito pior caso não houvesse nenhuma preparação com antecedência. Ambulâncias de outros estados, enviadas pela Agência Federal de Gerenciamento de Emergências, vieram de centenas de quilômetros de distância. O motorista da ambulância que levou Bondy, veio de Ohio, e precisou de instruções para chegar ao hospital que ia recebê-la.

Ela chegou ao St. Luke e os funcionários que estavam recebendo os pacientes dos outros hospitais a receberam e acomodaram em menos de dez minutos e uma enfermeira lhe disse: “Querida, não se preocupe, cuidaremos de você.”

CARREGANDO COMBUSTÍVEL

A reação no Bellevue foi menos coordenada. Na segunda-feira à noite, a rede de energia falhou no bairro e em seguida, sua fonte de energia reserva falhou, quando as bombas localizadas no subsolo, e que deviam bombear o combustível para abastecer os principais geradores, foram inundadas. Funcionários carregaram combustível durante horas, para abastecer os geradores, mas na terça-feira, a situação ficou desesperadora. O Bellevue começou o que se tornou uma evacuação total de cerca de 725 pacientes.

Outros hospitais da cidade ficaram sobrecarregados ao receberem os pacientes do Bellevue e do NYU, mas nenhum paciente morreu.

O hospital Mount Sinai recebeu pacientes evacuados dos dois hospitais e não teve problemas de fornecimento de energia. Porém a comunicação foi um problema sério. A diretora do Monte Sinai, Erin Dupree, estava ao telefone com o NYU, na segunda-feira à noite discutindo a evacuação, mas a ligação caía a toda hora e telefones fixos e celulares falharam em toda a cidade.

Isso também podia ter sido previsto. A perda de comunicação também aconteceu durante os ataques de 11 de setembro, em Nova York, quando as equipes de emergência não conseguiram receber instruções e informações nos minutos que antecederam o colapso das torres do World Trade Center.

EXERCÍCIOS DE EMERGÊNCIA NÃO SE PREOCUPAM COM DETALHES

Exercícios de emergência praticamente não simulam situações de emergência dentro do hospital, seu foco é sempre a pronta resposta no atendimento às vítimas, no caso de uma emergência externa.

“Não me lembro da última vez que um hospital fez um treinamento em que o próprio hospital tenha sido o local do desastre”, disse Kellerman.

A Comissão também exige que os hospitais mantenham um equipamento de energia de reserva e que o testem 12 vezes por ano, durante meia hora, e durante quatro horas, uma vez a cada três anos.

Somente quando há “novos projetos de reforma ou novas construções” os hospitais são obrigados a colocar tal equipamento acima do nível de inundação, e mesmos nestes casos, isso é algo de “deveria” ser feito, mas não é uma obrigação.

“Estamos definitivamente fazendo progressos, mas muitos hospitais ainda estão lutando para se adequar”, disse Dan Hanfling da Inova Health System.

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