Milícias rivais combatem nas ruas de Tripoli

domingo, 4 de novembro de 2012 17:16 BRST
 

TRIPOLI, 4 Nov (Reuters) - Milícias rivais líbias trocaram tiros e dispararam granadas em Tripoli neste domingo. O combate deixou em chamas um prédio utilizado no passado pelo serviço de inteligência, em um dos piores conflitos na capital líbia desde a queda de Muammar Gaddafi.

Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas, e um hospital, no coração da cidade, foi alvejado. Moradores da região buscaram se armar para se defender, já que alegaram que a polícia não atendeu os chamados por ajuda. O Exército chegou mais de 12 horas depois de iniciado conflito.

A violência ilustra o desafio que enfrenta o governo eleito líbio na área de segurança. As milícias conquistaram poder durante o conflito que derrubou Gaddafi há um ano, num país marcado pelo sectarismo e pelas divisões regionais.

O prédio do Comitê Supremo de Segurança, organização do governo criada há um ano para tentar regular os grupos armados, foi saqueado por integrantes de uma milícia e estava em chamas no início da tarde, segundo testemunhas. Uma loja de artigos esportivos que ajuda a financiar uma das milícias tamém foi saqueada.

O conflito se iniciou logo depois de meia-noite. As milícias envolvidas eram filiadas ao Comitê de Segurança.

Moradores bloquearam a rua onde o conflito se dava, e muitos pegaram as suas próprias armas.

"Chamamos a polícia pela manhã, mas ninguém apareceu", afirmou o morador Khaled Mohamed à Reuters.

Uma bala perdida causou pânico no Hospital Central de Tripoli. "Temos pacidentes reais com problemas reais. Essas milícias precisam nos deixar em paz para podermos fazer o nosso trabalho", disse o médico Khaled Ben Nour.

Alguns dos integrantes das milícias disseram que o conflito foi por conta da prisão de um deles. Outros afirmaram que o prédio do Comitê de Segurança, que já foi do serviço de inteligência, estava ocupado por uma milícia específica.

"O governo precisa achar uma solução para essa bagunça", afirmou o morador Khaled Ahmed. "São dois anos desde a revolução e ainda não há segurança. Ou acham uma solução, ou vamos tomar as ruas de novo", disse.

(Por Ghaith Shennib)