Na China, ambição política acarreta custo monumental

segunda-feira, 5 de novembro de 2012 10:36 BRST
 

Por Michael Martina

TIANJIN, China, 5 Nov (Reuters) - Dong Zizhou lança sua rede ao mar e fixa o olhar nos 15 arranha-céus inconclusos que se erguem qual esqueletos de concreto à margem do rio Hai, que simbolizam a ambição chinesa de desenvolver o maior centro financeiro mundial.

As torres do Bairro Financeiro de Yujiapu, em Tianjin, e duas dúzias de outros edifícios no outro lado do rio são monumentos à transformação dessa cidade outrora deteriorada, com 13 milhões de habitantes, na região chinesa de maior crescimento no último ano.

Também são um testamento a um líder político local, Zhang Gaoli, cuja atuação econômica fez dele uma estrela em ascensão no Partido Comunista, sendo citado como forte candidato para uma vaga no Comitê Permanente do Politburo, principal órgão decisório do partido.

Mas moradores locais como Dong, que teve sua casa desapropriada para dar lugar aos prédios, veem com desconfiança o gasto feito nesses projetos.

"Olho para isso e parece que o país está investindo demais", disse Dong, um eletricista aposentado, de 62 anos, usando uma manivela para baixar a rede às águas cinzentas do Hai. "Todo mundo recebe empréstimo hoje em dia. Mas nós, pessoas comuns, não entendemos de onde vem esse dinheiro."

Muitos especialistas também não entendem. Para alguns, as obras de Zhang em Tianjin têm um caráter tão político quanto econômico -- seriam um exemplo do custo monumental para quem deseja forjar uma carreira política num Estado unipartidário, no qual o sucesso é medido pelo crescimento econômico, não pelos votos.

Só nos últimos três anos, o governo despejou mais de 160 bilhões de dólares na zona de desenvolvimento onde fica Yujiapu, o que é quase o triplo do valor gasto na barragem das Três Gargantas, um dos mais caros projetos já feitos no país.

Yujiapu, concebida como uma espécie de Manhattan chinesa, ajudou Tianjin a registrar um crescimento de 16,4 por cento em 2011. Isso credenciou Zhang a um posto no Comitê Permanente, que será renovado neste mês, como parte da troca de liderança que ocorre uma vez por década.   Continuação...