ANÁLISE-Se eleito, Romney quebraria promessa sobre moeda chinesa

segunda-feira, 5 de novembro de 2012 14:54 BRST
 

Por Nick Edwards

PEQUIM, 5 Nov (Reuters) - O candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, Mitt Romney, não teria o poder legal para rotular a China de manipuladora do câmbio em seu primeiro dia no cargo caso vença a eleição de terça-feira, o que seria uma boa saída para o que especialistas dizem ter sido a pior alegação sobre a questão em anos.

A autoridade para fazer uma acusação formal é do secretário do Tesouro dos EUA, o que seria uma solução que ex-autoridades dos EUA afirmam que Romney pode precisar depois de ter dito várias vezes que iria declarar a China uma manipuladora do câmbio como parte de sua campanha para sugerir que o presidente norte-americano, Barack Obama, tem sido suave demais com o país asiático.

Um tapa público em Pequim em seu primeiro dia na Casa Branca, em janeiro, poderia acarretar consequências graves para ambos os países e a economia global, pondo em risco o comércio bilateral entre as duas maiores nações comerciais do mundo -- avaliado em dados chineses em cerca de 540 bilhões de dólares em 2011.

Isso quase certamente obrigaria a nova liderança da China, também prevista para ser conhecida oficialmente este mês, a responder de alguma forma, aumentando o risco de uma guerra comercial com a segunda maior economia mundial -- uma briga que Romney provavelmente teria que lutar sem o apoio do FMI ou da OMC, e com as evidências econômicas mais recentes contra ele.

"Romney se colocou numa sinuca na questão da moeda", disse David Loevinger, diretor-gerente de mercados emergentes da TCW, empresa de fundos de Los Angeles, que ingressou em junho vindo do Tesouro, onde foi coordenador-sênior para assuntos da China e para o Diálogo Estratégico e Econômico EUA-China.

"Se você olhar a lei, não é o presidente que tem essa autoridade, é o secretário do Tesouro. E no primeiro dia, ele não vai ter um secretário do Tesouro confirmado pelo Senado", disse Loevinger à Reuters.

A Casa Branca de Romney colocaria o rótulo na China no momento em que os desequilíbrios comerciais estão encolhendo, o dólar está caindo e o iuane está subindo, ao mesmo tempo em que tentaria recompensar o capital político para os principais doadores corporativos, sendo que muitos deles têm interesses comerciais substanciais na China e provavelmente não gostariam de cutucar demais Pequim.

"Em toda a última década, este parece ser o momento mais estranho para comprar uma briga com a China como manipuladora do câmbio", disse Loevinger.   Continuação...