6 de Novembro de 2012 / às 11:19 / 5 anos atrás

Americanos votam após longa e árdua campanha pela Casa Branca

Por Patricia Zengerle e Jeff Mason

Um dos 10 eleitores registrados do pequeno vilarejo Dixville Notch, em New Hampshire, aguarda para registrar o primeiro voto para a eleição presidencial dos EUA, logo após a meia-noite. Barack Obama e Mitt Romney se submetem nesta terça-feira ao veredicto das urnas nos EUA, após uma longa e acirrada campanha presidencial que será decidida em alguns poucos Estados onde a corrida está extraordinariamente apertada. 06/11/2012 REUTERS/Herb Swanson

WASHINGTON, 6 Nov (Reuters) - O presidente norte-americano, Barack Obama, e o republicado Mitt Romney fizeram um esforço de última hora nesta terça-feira para levar seus eleitores às urnas em alguns Estados que decidirão o vencedor de uma prolongada e acirrada campanha pela Casa Branca.

Coroando uma campanha presidencial longa e amarga, os norte-americanos votaram nas seções eleitorais em todo o país. Pelo menos 120 milhões de pessoas devem ir às urnas para dar a Obama um segundo mandato ou substituí-lo por Romney.

A decisão, seja a reeleição do democrata Obama ou a substituição dele pelo republicano Romney, irá ditar os rumos do país nos próximos quatro anos a respeito de gastos públicos, impostos, saúde e questões de política externa, como a ascensão da China e as ambições nucleares do Irã.

As pesquisas nacionais mostram Obama e Romney em empate técnico, mas o presidente tem uma ligeira vantagem em vários Estados estratégicos, principalmente em Ohio, que poderá dar a ele os 270 votos no Colégio Eleitoral necessários para vencer.

Pelo sistema eleitoral norte-americano, o presidente é eleito por um Colégio Eleitoral com 538 delegados. Cada Estado envia um número fixo de delegados ao Colégio, proporcional à sua representação no Congresso, e em quase todos os Estados o vencedor local leva todos os delegados, independentemente da margem de votos sobre o segundo colocado. Por isso, a eleição acaba sendo decidida em um punhado de Estados.

Romney, multimilionário ex-executivo de uma firma de investimentos e ex-governador de Massachusetts, pode se tornar o primeiro presidente mórmon na história dos Estados Unidos e também um dos norte-americanos mais ricos a chegarem à Casa Branca.

O republicano votou num centro comunitário perto de sua casa em um subúrbio de Boston e partiu para duas viagens de última hora, incluindo o Estado mais importante da disputa, Ohio.

“As pessoas em Ohio sabem que provavelmente decidirão quem será o próximo presidente”, disse a uma rádio local.

Em uma convergência estranha de planos de campanha que ressaltou a importância de Ohio para ambos os lados, o vice-presidente norte-americano, Joe Biden, pousou inesperadamente em Cleveland, poucos minutos depois de o avião de Romney chegar, no que parecia ser uma tentativa de roubar a cena.

Romney ficou a bordo até que a comitiva de Biden deixasse a pista, que logo se tornou ainda mais lotada quando seu companheiro republicano de chapa, Paul Ryan, desembarcou para participar da visita em Cleveland.

Passando o dia em Chicago, onde morou, o presidente fez um último pronunciamento aos eleitores por meio de entrevistas pré-gravadas exibidas nos Estados decisivos da campanha. Ele, que votou antecipadamente em outubro, fez uma visita surpresa a um escritório local composto por voluntários.

“Quatro anos atrás, tivemos um comparecimento incrível”, disse Obama a uma rádio de Miami. “Sei que as pessoas estavam animadas e empolgadas com o prospecto de fazer história, mas temos que preservar os ganhos que fizemos e continuar avançando.”

Ele ligou para uma emissora de música hip-hop, em Tampa, na Flórida, para uma última mensagem aos eleitores afro-americanos, dizendo aos ouvintes que a votação era “central para mover a nossa comunidade para frente”.

Alimentada por um volume recorde de publicidade negativa, a disputa entre os dois candidatos esteve focada principalmente na complicada recuperação econômica nacional e no desemprego persistentemente alto. Em alguns momentos, porém, o duelo foi para o lado pessoal.

INCENTIVO AO COMPARECIMENTO

À medida que os norte-americanos seguiam para votar, as duas campanhas realizavam ligações telefônicas para tentar mobilizar os eleitores a comparecer.

As urnas começam a ser fechadas em Indiana e Kentucky às 18h (21h no horário de Brasília), e vai terminando nos demais Estados ao longo das seis horas seguintes.

Os primeiros resultados, como é tradição, já foram apurados em Dixville Notch e Hart’s Location, em New Hampshire, logo depois da meia-noite (3h em Brasília).

Obama e Romney empataram em Dixville Notch, com cinco votos. Em Hart’s Location, Obama venceu com 23 votos, contra 9 de Romney e 2 do candidato do Partido Libertário, Gary Johnson.

O caráter apertado da disputa gera temores de que se repita a situação de 2000, quando o pleito foi decidido pela Suprema Corte. As duas campanhas montaram equipes jurídicas para lidar com possíveis problemas de votação, impugnações e recontagens.

O equilíbrio de poder no Congresso também estará em jogo. O resultado da votação para a Câmara e parte do Senado deve influenciar o resultado das negociações em torno do “abismo fiscal” relacionado ao pacote de cortes de gastos públicos e aumentos tributários que entrará em vigor no começo de 2013, caso não haja acordo em contrário.

Pelas últimas pesquisas, a expectativa é de que os democratas mantenham a pequena maioria no Senado, e que os republicanos preservem o controle da Câmara.

Apesar dos problemas na economia, Obama parecia em setembro se encaminhar para uma reeleição relativamente tranquila, depois de demonstrar força na convenção partidária e ver Romney sofrer uma série de tropeços.

A divulgação de um vídeo, gravado sigilosamente meses antes, mostrou Romney desqualificando os eleitores de Obama, dizendo serem pessoas vitimizadas e excessivamente dependentes do governo. Naquele vídeo, ele estimava que esse grupo compõe 47 por cento do eleitorado.

Mas Romney se recuperou depois do primeiro debate da campanha, em 3 de outubro, em Denver, onde as críticas certeiras ao presidente e a reação apática de Obama marcaram o início de uma lenta ascensão do republicano nas pesquisas. Obama pareceu retomar o comando da disputa na última semana, liderando a operação federal de socorro às vítimas da tempestade Sandy.

A disputa presidencial agora parece fadada a ser decidida pelo comparecimento eleitoral, especialmente qual combinação de eleitores aparecerá nas seções eleitorais.

MARATONA FINAL

Assim como a divisão no eleitorado, Eoin O‘Shea e sua esposa, Ann Marie, um casal no sul da Filadélfia, divergiram sobre o voto. Ambos têm 39 anos. Ele votou em Obama e ela, em Romney.

“Nós ainda amamos e respeitamos um ao outro”, disse ele.

Mas alguns eleitores consideravam a escolha algo mais forte.

“Trata-se de se preocupar com o que vai acontecer se o nosso país for liderado pela pessoa errada”, disse a defensora de Obama, Sylvia Zaal, de 38 anos, depois de votar em Milwaukee.

A votação parecia ir bem na maioria dos lugares.

Mas milhares de eleitores em Nova York e Nova Jersey encontraram confusão e filas frustrantemente longas. Algumas seções estavam em milhares de edifícios danificados pela supertempestade Sandy há oito dias.

No último dia de campanha, Obama e Romney percorreram sete Estados decisivos, tentando estimular seus apoiadores a saírem de casa para votar, e fazendo um último apelo aos indecisos.

Obama se concentrou em Wisconsin, Ohio e Iowa, três Estados do Meio-Oeste com os quais, salvo em caso de surpresas em outros lugares, ele conseguiria chegar aos 270 votos necessários no Colégio Eleitoral.

Romney visitou Flórida, Virgínia e Ohio, Estados cruciais para uma eventual vitória sua, e terminou o dia em New Hampshire, mesmo local onde, em junho de 2011, lançou sua campanha a presidente.

O denominador comum de ambos os candidatos foi Ohio, o mais crucial dos Estados decisivos, especialmente para Romney. Sem os 18 votos do Estado no Colégio Eleitoral, as opções de vitória para Romney ficam bastante limitadas. Nenhum republicano chegou à Casa Branca sem vencer no Estado.

As pesquisas em Ohio mostram Obama há meses com uma vantagem pequena, mas consistente, motivada em parte pelo apoio dele a um resgate federal do setor automobilístico, responsável por um em cada oito empregos no Estado, e pela boa situação econômica de Ohio, onde o desemprego está abaixo da média nacional, de 7,9 por cento.

Num último esforço para falar ao eleitorado nacional, Obama e Romney gravaram inserções para o intervalo dos jogos de futebol americano transmitidos na segunda-feira à noite, e falaram em tom descontraído da sua torcida pelos times Chicago Bears e New England Patriots, respectivamente.

Obama manteve seu ritual no dia da eleição de jogar basquete com amigos e funcionários. Ele votou antecipadamente em outubro, como fez de 35 a 40 por cento dos eleitores de todo o país, seja por e-mail ou pessoalmente.

Biden esperou pacientemente para exercer o seu voto em seu Estado natal de Delaware. Questionado se esta seria a última vez que votaria em si mesmo, disse com um sorriso: “Não, eu não penso assim.”

Ex-senador de 69 anos, que concorreu sem sucesso para a Casa Branca por duas vezes, não descartou a possibilidade de uma disputa em 2016.

Reportagem adicional de Jeff Mason, em Chicago; de Patricia Zengerle, em Boston; de Edith Honan, em Nova York; de Brendan O'Brien, em Milwaukee; de Dave Warner, em Filadélfia; de Philip Barbara, em Nova Jersey; de Matt Spetalnick, Lisa Lambert, Susan Heavey, Thomas Ferraro, Susan Cornwell, Anna Yukhananov e Roberta Rampton, em Washington

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