7 de Novembro de 2012 / às 14:52 / em 5 anos

Obama terá de enfrentar bloqueio republicano no Congresso

Por Andy Sullivan

Turistas caminham em frente ao Capitólio dos EUA em Washington. O presidente dos EUA, Barack Obama, tem sido bloqueado no Congresso desde as eleições de 2010, quando os republicanos assumiram o controle da Câmara dos Deputados, e isso provavelmente não vai mudar. 25/09/2012 REUTERS/Kevin Lamarque

WASHINGTON, 7 Nov (Reuters) - Barack Obama entrou na Casa Branca há quatro anos como um agente de mudança. O primeiro presidente negro do país foi reeleito na terça-feira como um defensor constante de um novo status quo.

Com um segundo mandato, Obama também ganha uma segunda chance. Ele poderá não se tornar nunca a figura unificadora que prometeu ser na corrida de 2008, mas terá mais quatro anos para tentar aprovar mudanças radicais que poderiam afetar os Estados Unidos durante décadas.

Não vai ser fácil. Obama tem sido bloqueado no Congresso desde as eleições de 2010, quando os republicanos assumiram o controle da Câmara dos Deputados, e isso provavelmente não vai mudar. Romper o impasse vai ser difícil.

A agenda modesta de Obama para o segundo mandato até agora ilustra a sua influência reduzida em Washington. Os republicanos mantiveram seu domínio sobre a Câmara e eles têm uma presença grande o suficiente no Senado para amarrar o Congresso com nós. A vitória apertada dele provavelmente não vai impressioná-los.

Logo de cara, Obama enfrenta uma crise potencial conhecida como o “abismo fiscal” --aumentos de impostos e cortes de gastos automáticos que ameaçam lançar o país em uma nova recessão.

Embora ele tenha posto um fim ao combate dos EUA no Iraque e esteja reduzindo a presença no Afeganistão, terá de conter as ambições nucleares do Irã, e com a possibilidade de um contra-ataque israelense.

Inevitavelmente, o presidente pode levar para o seu segundo mandato as duras lições do primeiro.

“Ele era uma figura que prometeu transformar a forma como a política funcionava”, disse Julian Zelizer, historiador presidencial da Universidade de Princeton. “Eu não acho que as pessoas ainda pensam isso. Não é apenas menos fé nele, é menos fé no que o sistema político pode fazer.”

Se Obama não mudar Washington da forma como muitos esperavam, ele pode se aproveitar de muitos sucessos notáveis.

Ele obteve uma expansão histórica dos cuidados de saúde que os presidentes democratas desde 1940 não haviam conseguido. Embora os eleitores gostem de muitas das novidades, não se apaixonaram pelo “Obamacare” como um todo. Ele agora vai ter a oportunidade de provar seu valor.

O mesmo pode ser dito para as reformas financeiras Dodd-Frank, que visam controlar alguns dos piores excessos de Wall Street.

A tentativa legislativa de Obama de reduzir as emissões de gases que causam aquecimento global morreu no Senado, mas ele pode continuar o esforço através de regulamentação. Ele também pode prosseguir com o esforço para criar milhões de empregos “verdes”, que até agora tem ficado muito aquém de seus objetivos.

Obama não chegou nem perto de sua meta de reduzir os déficits orçamentários de trilhões de dólares. Ele vai retomar essa batalha já esta semana.

Mas, para muitos eleitores, essas questões foram postas de lado pela economia, que mergulhou em uma profunda recessão nos meses finais de 2008.

Aqui, também, Obama pode apontar para o sucesso: o seu estímulo de 2009 criou milhões de empregos e anulou o impacto da pior recessão desde os anos 1930. A indústria automobilística nacional, à beira do colapso em 2009, foi restaurada.

O país evitou uma catástrofe econômica, mas o crescimento robusto permanece indefinido. Enquanto Obama vence a reeleição, 23 milhões de norte-americanos estão desempregados, subempregados, ou bem desencorajados a procurar trabalho.

A abordagem cautelosa de Obama da crise imobiliária fez pouco para conter uma epidemia de execuções hipotecárias ou para ajudar aqueles que mergulharam em dívida com a queda dos valores das moradias. Um novo estímulo ficou parado no Congresso, já que o governo se concentrou na saúde e nas reformas de Wall Street.

NEGOCIAÇÃO COM O CONGRESSO

Apesar de Obama ter sido o primeiro membro em exercício no Congresso a ganhar a presidência desde o presidente John F. Kennedy em 1960, suas relações com o Capitólio foram problemáticas na melhor das hipóteses.

Obama se esquivou dos ataques pelas costas e quedas de braço que muitas vezes são necessários para fazer avançar uma proposta em Washington. Legisladores democratas se queixavam em particular de que ele pouco se importava com suas preocupações políticas.

Os republicanos foram contra suas iniciativas de uma maneira sem precedentes, fornecendo poucos, se algum, votos para suas principais iniciativas. No Senado, a ação diminuiu ao ritmo de rastejo quando os republicanos impuseram um número recorde de obstáculos processuais.

Os problemas chegaram ao clímax durante a batalha sobre o teto da dívida de 2011, que levou o país à beira da inadimplência. A confiança do consumidor despencou e as agências de classificação de risco emitiram um rebaixamento histórico da nota do país.

Não está claro se Obama poderia ter feito muito para quebrar o impasse por conta própria.

Os estudiosos do Congresso Norm Ornstein e Thomas Mann, que estudaram o governo federal por 40 anos, afirmaram em seu livro “It’s Worse Than It Looks” (“É pior do que parece”) que o Partido Republicano se tornou um “insurgente isolado” ideologicamente exagerado, com pouco interesse nos compromissos necessários para gerir um país vasto e diversificado.

Mas os republicanos estariam dispostos a trabalhar com Obama quando ele assumiu o cargo se ele tivesse mostrado alguma independência de seu próprio partido, disse o ex-assessor de BushTony Fratto.

“Essa foi uma oportunidade perdida --eu pensei que este presidente em particular, neste momento em particular, tinha uma oportunidade real e única de virar o jogo no Congresso”, afirmou Fratto.

WALL STREET

O relacionamento de Obama com a comunidade empresarial também tem sido difícil. Os líderes corporativos reclamaram que suas reuniões na Casa Branca pareciam mais oportunidades de foto do que sessões políticas.

Wall Street se voltou contra o governo na esteira das reformas financeiras de 2010 e até figuras democratas proeminentes, como o presidente-executivo do JP Morgan Chase, Jamie Dimon, acusaram Obama de demonizar a indústria financeira.

A “grande barganha” que iria colocar as finanças dos EUA em um caminho sustentável permanecerá tão evasiva como sempre, com os investidores continuando a tomar dívida dos EUA a taxas de juros baixíssimas e com os congressistas enfrentando pouca pressão de seus eleitores para fazer os tipos de concessões dolorosas que serão necessárias para chegar a um acordo.

Os republicanos podem determinar que é do seu melhor interesse cooperar em uma reforma da imigração, mas eles vão querer negociar os seus termos.

A economia poderia dar a Obama o vento a favor bastante necessário em seu segundo mandato, à medida que o emprego, a confiança dos consumidores e uma série de outros indicadores apontam que a recuperação pode finalmente estar tomando forma.

Uma melhoria da economia poderia resolver alguns dos problemas de Obama ao reduzir os déficits orçamentários, levar mais norte-americanos de volta ao trabalho e justificar muitas das decisões que ele tomou em seu primeiro ano no cargo.

Para um presidente que viu muito do seu primeiro mandato ser sequestrado pela economia lenta, isso seria uma reviravolta irônica de eventos.

“A eleição presidencial de 2008 teve o efeito de aumentar as expectativas para um nível que teria sido muito difícil de satisfazer, mesmo na melhor das circunstâncias. E as circunstâncias não têm sido as melhores”, disse William Galston, um estudioso da Brookings Institution e ex-conselheiro de política do presidente Bill Clinton.

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