Assad diz que vai morrer na Síria; oposição se reúne em Doha

quinta-feira, 8 de novembro de 2012 14:24 BRST
 

Por Rania El Gamal e Andrew Hammond

DOHA, 8 Nov (Reuters) - O presidente sírio, Bashar al-Assad, rejeitou qualquer sugestão de que possa fugir da Síria e alertou que qualquer intervenção militar ocidental para derrubá-lo teria consequências catastróficas para o Oriente Médio e o mundo.

Falando em entrevista ao canal de televisão Russia Today (RT), que será transmitida na sexta-feira, Assad afirmou que não vê o Ocidente embarcando em uma intervenção militar na Síria e disse que o custo de tal ação seria demasiado.

"Eu acho que o custo de uma invasão estrangeira na Síria -- se acontecer-- seria maior do que o mundo inteiro pode suportar... Isto terá um efeito dominó que afetará o mundo desde o Atlântico até o Pacífico", disse Assad.

"Eu não acredito que o Ocidente está caminhando nessa direção, mas se eles fizerem isso, ninguém pode dizer o que vai acontecer depois", acrescentou.

As declarações foram publicadas em árabe no site do Russia Today. Não ficou claro quando Assad deu a entrevista.

Os comentários desafiadores de Assad coincidiram com uma reunião histórica no Catar nesta quinta-feira da oposição rebelde da Síria para firmar um acordo sobre um novo órgão reunindo grupos rebeldes dentro e fora da Síria, em meio à crescente pressão internacional para pôr a casa em ordem e se preparar para uma transição pós-Assad.

Os Estados Unidos e outras potências ocidentais estão cada vez mais frustrados com a oposição por causa das divisões e dos conflitos internos que minaram as chances de derrubar Assad.

Apoiadas por Washington, as negociações em Doha salientam o papel central do Catar no esforço para acabar com o regime de Assad, à medida que o país do Golfo Pérsico, que financiou a revolta da Líbia para derrubar Muammar Gaddafi, tenta se posicionar como atuante em uma Síria pós-Assad.   Continuação...

 
O presidente sírio Bashar al-Assad é fotografado durante entrevista com televisão russa em Damasco, em 2011. Bashar al-Assad, rejeitou qualquer sugestão de que possa fugir da Síria e alertou que qualquer intervenção militar ocidental para derrubá-lo teria consequências catastróficas para o Oriente Médio e o mundo. Foto de Arquivo. 30/10/2011 REUTERS/SANA/Handout