Sandy leva primeira ação dos Médicos Sem Fronteiras aos EUA

sexta-feira, 9 de novembro de 2012 11:07 BRST
 

Por Edith Honan

NOVA YORK, 9 Nov (Reuters) - A médica Lucy Doyle, de Manhattan, já passou temporadas colaborando com a entidade Médicos Sem Fronteiras na República Democrática do Congo e no Quênia. Sua nova missão foi surpreendente: Nova York.

Depois da supertempestade Sandy, os Médicos Sem Fronteiras (MSF) estabeleceram a primeira clínica da sua história nos EUA, e Doyle está na linha de frente do desastre, a poucos quilômetros do seu emprego habitual.

"Muitos de nós dizem que parece bastante com estar no campo em um país estrangeiro", disse Doyle, que normalmente trabalha no Hospital Bellevue, de Nova York, atualmente fechado por causa dos danos causados pela tempestade.

Uma semana depois da passagem de Sandy, que paralisou os transportes e o fornecimento elétrico em partes da cidade durante vários dias, o MSF estabeleceu clínicas temporárias em Rockaways --uma remota parte do Queens voltada para o Atlântico-- para atender moradores de prédios que ainda estão sem energia e calefação, e que ficaram isolados pela tempestade.

"Não acho que nenhum de nós esperasse ver esse nível de falta de acesso ao atendimento médico", disse Doyle.

Na quarta-feira, as autoridades registraram mais uma morte em Rockaways, elevando a 121 o total de vítimas fatais por causa da tempestade nos EUA e no Canadá. Estima-se que ainda haja dezenas de milhares de desabrigados em Nova York.

A situação em Rockaways é complicada: os prédios estão sem elevadores funcionando, as ruas ficam às escuras, e até um ou dois dias atrás as farmácias que não haviam sido destruídas continuavam fechadas. A ausência quase completa da polícia, somada à escuridão, deixou os moradores temerosos de saírem dos seus apartamentos.

"Suas farmácias estão fechadas. Seus consultórios médicos estão fechados. Eles precisam de um jeito de repor os remédios de uso constante", disse a médica Danya Reich, do Grupo Médico Beth Israel, em Manhattan, que esperava para dar consultas num ambulatório improvisado dentro de uma lavanderia, no primeiro andar de um prédio.   Continuação...

 
Do Médicos Sem Fronteiras, o médico David Horne (C) faz checkup em família que vive na New York City Housing Authority (NYCHA), que ainda não possui energia nas vizinhanças do Queens, em Nova York. Uma semana depois da passagem de Sandy, que paralisou os transportes e o fornecimento elétrico em partes da cidade durante vários dias, o MSF estabeleceu clínicas temporárias em Rockaways --uma remota parte do Queens voltada para o Atlântico-- para atender moradores de prédios que ainda estão sem energia e calefação, e que ficaram isolados pela tempestade. 08/11/2012 REUTERS/Lucas Jackson