10 de Novembro de 2012 / às 00:05 / em 5 anos

Brics veem reservas em moeda estrangeira de até US$240 bi--documento

Por Lesley Wroughton e Alonso Soto

WASHINGTON/BRASÍLIA, 9 Nov (Reuters) - Os principais países emergentes discutem reunir até 240 bilhões de dólares de reservas em moeda estrangeira para protegê-los de pressões de liquidez no curto prazo, de acordo com documentos que delineiam os planos das cinco nações que compõem os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Esses países anunciaram um grupo de trabalho em junho para desenvolver uma cesta de reservas e criar um novo banco de desenvolvimento para financiar projetos em infraestrutura no mundo em desenvolvimento.

De acordo com os documentos, obtidos pela Reuters, o conjunto de valores de bancos centrais estaria disponível para países que enfrentam dificuldades na balança de pagamentos. Alguns também pressionam por uma linha de crédito de precaução, similar à do Fundo Monetário Internacional (FMI) que ajuda nações com garantias contra choques econômicos externos.

A iniciativa surge em meio a uma frustração crescente entre os Brics e outros países em desenvolvimento em relação à predominância contínua dos Estados Unidos e de nações europeias em instituições globais como o FMI e o Banco Mundial.

Encontros entre autoridades dos Brics nos bastidores da cúpula recente de ministros das Finanças do G20 --grupo que reúne as principais economias do mundo-- tentaram avançar com os planos, antes de uma reunião de líderes do bloco de emergentes em março, na África do Sul.

Acordos planejados sobre swap cambial também dariam aos Brics a capacidade de emprestar uns aos outros para a manutenção da liquidez nos mercados.

Autoridades reunidas no encontro entre os Brics por ocasião da cúpula do G20, e que falaram sob condição de anonimato, afirmaram que a China enfatizou que o tamanho do fundo de reservas precisa ser suficientemente grande para ser levado a sério pelos mercados.

GRANDE DESAFIO

Autoridades acreditam que a cesta de reservas dos Brics deve ser similar à iniciativa Chiang Mai, que reúne países do sudeste asiático e foi dobrada para 240 bilhões de dólares em maio para ampliar a proteção contra choques externos.

O programa Chiang Mai, acordado em 2000, nunca fui usado porque exige que o país solicite um plano ao FMI, que foi criticado por não realizar resgates suficientes durante a crise monetária de 1998.

Eswar Prasad, professor de economia da Universidade Cornell e membro sênior do Brookings Institution em Washington, disse que o plano proposto de união de recursos representa “um desafio sério e sólido para os atuais arranjos monetários globais”.

“Sem considerar a lógica e as possíveis complicações desses mecanismos de reunião de recursos, essas propostas dos Brics podem ter o efeito salutar de estimular reformas monetárias globais em um ritmo mais acelerado”, completou.

Países como a China estão ávidos para ver a moeda do país asiático, o iuan, ser adicionada à cesta de divisas do FMI, que atualmente inclui a libra, o iene, o euro e o dólar, que integram os chamados Direitos Especiais de Saque (SDR, na sigla em inglês).

Enquanto uma parcela dos Brics acredita que os desembolsos da cesta de reservas devem ser feitos em dólares norte-americanos, uma outra parcela prefere usar os SDR.

“Em termos de desembolso, a preferência seria usar o dólar norte-americano ou outra moeda da reserva, mas também foi expressada a visão de que parte desses desembolsos pode ocorrer em moedas nacionais dos Brics”, segundo os documentos.

As discussões entre os Brics também tratam de quais condições estariam condicionadas às reservas. Uma questão é sobre se o mecanismo pode estar vinculado a um programa do FMI, o que pode ser difícil de ser aprovado para qualquer um dos Brics. Alguns dos países do grupo defendem uma vinculação parcial ao FMI.

RESPONDENDO ÀS NECESSIDADES

Os Brics também consideram a criação de um novo banco de desenvolvimento para apoiar o financiamento de longo prazo para projetos de infraestrutura em economias emergentes e em desenvolvimento, como forma de atender à crescente necessidade por estradas, ferrovias, portos e eletricidade.

O banco dos Brics competiria com o Banco Mundial e outras instituições multilaterais de desenvolvimento, que também fornecem empréstimos para projetos de infraestrutura. No entanto, países como a Índia, por exemplo, já enfrentam limitações em seus empréstimos junto ao Banco Mundial.

Os documentos apontam que os bancos de desenvolvimento multilaterais existentes estão subcapitalizados em relação às crescentes necessidades das economias emergentes e dos países em desenvolvimento.

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