Grupos da oposição síria fecham acordo de união contra Assad

segunda-feira, 12 de novembro de 2012 14:17 BRST
 

Por Rania El Gamal e Regan Doherty

DOHA, 12 Nov (Reuters) - Os divididos grupos de oposição da Síria finalmente deixaram de lado diferenças profundas e declararam apoio a um novo líder de uma coalizão que os aliados ocidentais e árabes esperam que consiga derrubar o presidente Bashar al-Assad e assumir o país.

Após dias de discussões acirradas no Catar sob pressão constante de autoridades árabes, dos EUA e de outros líderes, representantes de grupos rebeldes, incluindo dissidentes das Forças Armadas e minorias étnicas e religiosas, concordaram, no domingo, em participar de uma nova assembleia para formar um governo no exílio. Eles elegerem por unanimidade o clérigo reformista de Damasco Mouaz al-Khatib como seu presidente.

Khatib, um pregador de voz suave que já foi imã da antiga mesquita dos Omíadas em Damasco, imediatamente fez um pedido a soldados para que abandonem o Exército sírio e para que todas as seitas sírias se unam.

"Exigimos a liberdade de todos os sunitas, alauítas, ismailis (xiitas), cristãos, drusos, assírios... e os direitos de todas as partes do harmonioso povo sírio", disse ele a repórteres.

Ainda não se sabe se a Coalizão Nacional Síria para a Oposição e as Forças Revolucionárias conseguirão superar as suspeitas mútuas e os combates internos que enfraqueceram o movimento de oposição de 20 meses, que tenta acabar com quatro décadas de governo da família do presidente Assad.

Mas para os aliados no exterior, que esperam uma repetição na Síria do Conselho Nacional de Transisção da Líbia que derrubou Muammar Gaddafi, o acordo foi bem-vindo num dia em que Israel disparou um míssil depois que uma bomba de morteiro lançada da Síria atingiu as Colinas de Golã, e em que as forças de Assad fizeram ataques pelo ar ao longo da fronteira da Turquia.

"Vamos nos esforçar a partir de agora para ter este novo órgão completamente reconhecido por todas as partes... como o único representante legítimo do povo sírio", disse o primeiro-ministro do Catar, xeique Hamad bin Jassim, um importante aliado dos rebeldes.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmed Davutoglu, disse que "não há mais desculpas" para governos estrangeiros não apoiarem a oposição síria unida.   Continuação...

 
O primeiro-ministro do Catar Sheikh Hamad bin Jassim Al-Thani (D) parabeniza o novo líder da coalizão nacional síria, Mouaz al-Khatib, durante reunião da assembleia geral do conselho nacional sírio, em Doha. Após dias de discussões acirradas no Catar sob pressão constante de autoridades árabes, dos EUA e de outros líderes, representantes de grupos rebeldes, incluindo dissidentes das Forças Armadas e minorias étnicas e religiosas, concordaram, no domingo, em participar de uma nova assembleia para formar um governo no exílio. Eles elegerem por unanimidade o clérigo reformista de Damasco Mouaz al-Khatib como seu presidente. 11/11/2012 REUTERS/Mohammed Dabbous