Deputada de Uganda quer lei antigay como "presente de Natal"

terça-feira, 13 de novembro de 2012 20:10 BRST
 

CAMPALA, 13 Nov (Reuters) - A presidente do Parlamento de Uganda disse que pretende dar de "presente de Natal" ao país africano a aprovação de uma lei que institui penas duras contra a homossexualidade.

O projeto inicialmente previa a pena de morte para os gays, mas essa possibilidade foi retirada diante da forte reação internacional, inclusive do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para quem o projeto é "odioso".

Apesar disso, a versão que tramita atualmente no Parlamento prevê duras penas de prisão, inclusive a perpétua, para pessoas que sejam condenadas por serem homossexuais.

O projeto obriga o veterano presidente Yoweri Museveni a buscar um equilíbrio entre as reivindicações de igrejas evangélicas e as críticas de alguns doadores internacionais que ameaçam retirar sua assistência financeira a Uganda.

"Os ugandenses querem essa lei como presente de Natal. Eles a pediram, e nós lhes daremos esse presente", disse a deputada Rebecca Kadaga à Reuters nesta terça-feira.

O projeto tramita atualmente numa comissão parlamentar, mas Kadaga, como presidente da Câmara, pode pedir mais pressa na sua passagem ao plenário.

A prática homossexual já é crime em Uganda, bem como em 36 outros países africanos. O novo projeto pune também a "promoção" dos direitos dos homossexuais, bem como qualquer um que "financiar ou patrocinar da homossexualidade" ou tiver "cumplicidade" com a prática.

(Reportagem de Elias Biryabarema)

 
Foto de arquivo mostra membros de grupos religiosos se manifestam contra a homossexualidade na cidade de Kampala, na Uganda. A presidente do Parlamento de Uganda disse que pretende dar de "presente de Natal" ao país africano a aprovação de uma lei que institui penas duras contra a homossexualidade. 21/08/2007 REUTERS/James Akena