15 de Novembro de 2012 / às 14:47 / 5 anos atrás

Recuperação da tempestade Sandy enfrenta muitos obstáculos nos EUA

Vítima do furacão Sandy recebe comida de caminhão da Cruz Vermelha Americana, no bairro de Red Hook em Nova York. O caminho para a recuperação pode ser medido em exclamações, algumas de execração, outras de alegria. 07/11/2012 REUTERS/Andrew Burton

NOVA YORK, 15 Nov - O caminho para a recuperação pode ser medido em exclamações, algumas de execração, outras de alegria.

“É como viver no inferno”, disse Latoya Miller, de 29 anos, de Red Hook, um dos bairros de Nova York que ficaram submersos durante a supertempestade Sandy. “Se não fosse pelas pessoas nos dando comida e cobertores, não sei o que iríamos fazer. Haveria tumultos aqui.”

Quando se trata de falar do que deu certo e do que deu errado, e do que ainda precisa ser feito, as vítimas do desastre estão acompanhando de perto para as autoridades, e o presidente Barack Obama poderá receber em primeira mão um relatório quando visitar a costa devastada da cidade de Nova York nesta quinta-feira.

“Que se faça a luz. Nosso Senhor Jesus! Dezesseis dias sem luz”, gritou Blanca Martin, de 41 anos, numa dança da vitória na terça-feira, quando a eletricidade finalmente voltou em sua casa em Coney Island.

O balanço até agora mostra dezenas de milhares de pessoas desabrigadas ou que perderam a casa, e um número ainda maior sem eletricidade. Toneladas de entulho empilhadas nas ruas. O suprimento de combustível ainda não voltou ao normal, a Cruz Vermelha é alvo de críticas e parte do sistema de transporte enfrenta dificuldades.

Pelo menos 120 pessoas morreram.

O governador do Estado de Nova York, Andrew Cuomo, estima que a tempestade causou 50 bilhões de dólares em perdas e danos à economia, sendo 33 bilhões desse total no Estado, o que aponta para o próximo conflito. Quem vai pagar?

A Agência Federal de Administração de Emergências (Fema) irá reembolsar algumas vítimas e governos locais pelos danos, mas só tem 8,1 bilhão de dólares disponíveis, o que significa que o Congresso dos Estados Unidos teria de destinar mais dinheiro, num momento em que boa parte do que se discute em Washington é corte de gastos.

A gigantesca tempestade --um furacão de aproximadamente 1.600 quilômetros de extensão, que combinado com um outro sistema de tempestade tocou a terra com altas marés, em dia de lua cheia-- provocou uma elevação recorde das águas, inundando a parte baixa de Manhattan, alterou a costa de Nova Jersey e Long Island, e destroçou bairros em áreas mais afastadas de Nova York.

“Acho que a costa vai ficar OK no próximo verão, mas não vai parecer a mesma”, disse o governador de Nova Jersey, Chris Christie, referindo-se ao Jersey Shore, forte destino turístico.

Algumas das áreas afetadas eram comunidades de praia mais ao sul, como Breezy Point, em Nova York, até então satisfeita por estar em uma área isolada dos grandes centros --até que o desastre a atingiu, levando abaixo 111 casas.

Outras, como partes de Rockaways, eram apenas pobres, de onde a classe trabalhadora começa sua jornada para o trabalho em lugares distantes.

A tempestade provocou outras baixas, como a Maratona de Nova York, programada para o dia 4 de novembro e cancelada após críticas contra a realização do evento, que iria requerer recursos num momento em que tanta gente sofria.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below