Putin irrita ativistas ao acusar Pussy Riot de antissemitismo

sexta-feira, 16 de novembro de 2012 20:09 BRST
 

Por Steve Gutterman

MOSCOU, 16 Nov (Reuters) - O presidente russo, Vladimir Putin, provocou a indignação de blogueiros e ativistas nesta sexta-feira ao insinuar à chanceler alemã, Angela Merkel, que uma das integrantes da banda punk Pussy Riot detidas na Rússia é antissemita.

Putin fez essa declaração depois que Merkel manifestou sua contrariedade com a condenação de integrantes da banda a dois anos de prisão por terem realizado um protesto contra Putin numa catedral de Moscou.

"Será que ela sabe que, antes disso, uma delas havia pendurado a imagem de um judeu e dito que Moscou precisava se livrar dessa gente?", disse ele a Merkel e a outros participantes russos e alemães de uma conferência realizada por ocasião da visita da chanceler a Moscou. "Não podemos apoiar pessoas que assumem posições antissemitas", acrescentou.

Alguns blogueiros e ativistas disseram que Putin está deliberadamente distorcendo a verdade.

Putin parecia estar se referindo a uma encenação de execução realizada em 2008 pelo grupo Voina (Guerra) num supermercado da Grande Moscou, e da qual pelo menos uma das integrantes do Pussy Riot, Nadezhda Tolokonnikova, teria participado.

Ativistas vestidos como migrantes não-eslavos se penduraram nas gôndolas num corredor. Algumas referências ao protesto na Internet davam a entender que um dos personagens representava um judeu.

Pyotr Verzilov, marido de Tolokonnikova e cofundador do Voina, disse que o protesto era uma forma de chamar a atenção para a discriminação que minorias sofrem em Moscou.

"A principal questão é se os assessores de Putin o informaram mal, seja acidentalmente ou de propósito, ou se ele está ciente dos fatos e está deliberadamente desinformando Angela Merkel", disse Verzilov.

Em entrevista coletiva posterior, ao lado de Merkel, Putin foi questionado sobre sua versão e fez declarações semelhantes.

(Reportagem adicional de Gabriela Baczynska e Denis Dyomkin)