América Latina busca modelos europeus de combate às drogas

sábado, 17 de novembro de 2012 13:57 BRST
 

Por Fiona Ortiz

CÁDIZ, 17 Nov (Reuters) - Países latino-americanos estão se voltando para modelos europeus na luta contra abuso de narcóticos, após décadas de uso do estilo do violento e dispendioso da guerra às drogas liderado pelos EUA.

Até recentemente, a maioria dos países latino-americanos mostravam tolerância zero sobre drogas, inspirados pelos EUA. Mas agora os países do Brasil para a Guatemala estão explorando penas alternativas para uso pessoal de drogas, seguindo exemplos como Espanha e Portugal, que canalizaram recursos para prevenção em vez de prisões.

A América Latina é a maior produtora mundial de cocaína e maconha, alimentando a enorme demanda nos EUA e Europa. O uso de drogas doméstico aumentou e a violência das gangues de drogas e tem causado uma carnificina por décadas na fronteira México-EUA e nas favelas brasileiras.

Na quinta-feira, o Congresso uruguaio deu mais um passo no sentido de colocar o estado responsável pela distribuição de maconha legal. No mesmo dia, um parlamentar de esquerda no México apresentou um projeto de lei para legalizar a produção, venda e consumo de maconha.

Embora o projeto mexicano seja improvável de acontecer, ele reflete o crescente debate sobre como combater o uso de drogas em um país onde 60 mil pessoas morreram desde 2006 em disputas territoriais entre traficantes de drogas e confrontos entre cartéis e forças de segurança.

Mesmo sendo a maior produtora mundial de cocaína, a Colômbia, parceira dos EUA em campanhas de erradicação das drogas e com uma dos mais duras leis anti-drogas na América Latina, está mudando. O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, disse na quinta-feira que valia a pena explorar o modelo português, uma das políticas anti-drogas mais liberais do mundo.

"A experiência com as políticas de consumo de drogas é muito interessante para nós. Todo o mundo está à procura de novas maneiras de lidar com o problema. Espero aprender mais e mais sobre a experiência", disse ele em visita a Lisboa.

Portugal descriminalizou todas as drogas em 2001, para combater um problema sério de heroína que causou um surto de Aids entre usuários de drogas. A mudança tem sido aclamado como uma história de sucesso, como os níveis de consumo caindo abaixo da média europeia.   Continuação...

 
Representantes de países ibero-americanos falam durante sessão plenária da Cúpula Ibero-Americana, em Cádiz, na Espanha. Países latino-americanos estão se voltando para modelos europeus na luta contra abuso de narcóticos, após décadas de uso do estilo do violento e dispendioso da guerra às drogas liderado pelos EUA. 17/11/2012 REUTERS/Marcelo del Pozo