19 de Novembro de 2012 / às 19:28 / 5 anos atrás

Ruanda acusa Congo de bombardear cidade fronteiriça

Por Johnny Hogg

GOMA, República Democrática do Congo, 19 Nov (Reuters) - Ruanda acusou tropas congolesas com apoio da ONU de bombardearem na segunda-feira seu território durante uma batalha com rebeldes perto da fronteira, mas disse que não tem planos para reagir militarmente à “provocação” de Kinshasa.

A tensão entre os dois vizinhos da África Central atinge níveis quase insuportáveis devido a uma insurgência nas montanhas do leste da República Democrática do Congo (RDC), que o governo nacional diz ser orquestrada por Ruanda, devido a um suposto interesse nas riquezas minerais da região.

“Ruanda não pretende responder a essa provocação vinda da RDC”, disse à Reuters a chanceler ruandesa, Louise Mushikiwabo. “As questões são sérias demais para serem submetidas a um jogo.”

Um porta-voz militar ruandês havia dito anteriormente que militares congoleses fizeram disparos de artilharia, baterias antiaéreas e tanques contra a cidade ruandesa de Gisenyi, ferindo três pessoas, em meio a confrontos entre o 6Exército do Congo e rebeldes do grupo M23.

Na tarde de segunda-feira, uma testemunha da Reuters viu hóspedes de um hotel ruandês próximo à fronteira correndo para se protegerem dos intensos disparos que ecoavam nos arredores.

Tiros contínuos eram ouvidos também no outro lado da fronteira, vindos da direção do aeroporto de Goma, capital da província congolesa de Kivu do Norte, onde soldados locais --alguns deles operando tanques-- assumiram posições ao anoitecer no centro da cidade.

O aeroporto está fechado desde domingo. Goma é também a sede da força de paz da ONU na região.

O governo do Congo acusa repetidamente Ruanda de apoiar a rebelião do M23, iniciada há oito meses, com o objetivo de controlar riquezas minerais em Kivu do Norte.

Kinshasa disse na segunda-feira que Kigali pode ter encenado os tiros no seu território como um pretexto para uma invasão.

“Temos informações de que Ruanda está disparando contra o seu próprio território para justificar uma intervenção maior”, disse um porta-voz governamental congolês.

O M23 diz estar lutando porque Kinshasa violou os termos de um acordo de paz de 2009 que integrou seus combatentes ao Exército, como solução para uma rebelião anterior.

Especialistas da ONU corroboram a alegação do governo de que Ruanda, que interveio repetidamente no Congo nos últimos 18 anos, estaria por trás da revolta do M23. Ruanda nega envolvimento.

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