Ruanda acusa Congo de bombardear cidade fronteiriça

segunda-feira, 19 de novembro de 2012 17:26 BRST
 

Por Johnny Hogg

GOMA, República Democrática do Congo, 19 Nov (Reuters) - Ruanda acusou tropas congolesas com apoio da ONU de bombardearem na segunda-feira seu território durante uma batalha com rebeldes perto da fronteira, mas disse que não tem planos para reagir militarmente à "provocação" de Kinshasa.

A tensão entre os dois vizinhos da África Central atinge níveis quase insuportáveis devido a uma insurgência nas montanhas do leste da República Democrática do Congo (RDC), que o governo nacional diz ser orquestrada por Ruanda, devido a um suposto interesse nas riquezas minerais da região.

"Ruanda não pretende responder a essa provocação vinda da RDC", disse à Reuters a chanceler ruandesa, Louise Mushikiwabo. "As questões são sérias demais para serem submetidas a um jogo."

Um porta-voz militar ruandês havia dito anteriormente que militares congoleses fizeram disparos de artilharia, baterias antiaéreas e tanques contra a cidade ruandesa de Gisenyi, ferindo três pessoas, em meio a confrontos entre o 6Exército do Congo e rebeldes do grupo M23.

Na tarde de segunda-feira, uma testemunha da Reuters viu hóspedes de um hotel ruandês próximo à fronteira correndo para se protegerem dos intensos disparos que ecoavam nos arredores.

Tiros contínuos eram ouvidos também no outro lado da fronteira, vindos da direção do aeroporto de Goma, capital da província congolesa de Kivu do Norte, onde soldados locais --alguns deles operando tanques-- assumiram posições ao anoitecer no centro da cidade.

O aeroporto está fechado desde domingo. Goma é também a sede da força de paz da ONU na região.

O governo do Congo acusa repetidamente Ruanda de apoiar a rebelião do M23, iniciada há oito meses, com o objetivo de controlar riquezas minerais em Kivu do Norte.   Continuação...