Ofensiva em Gaza alimenta ira de um mundo árabe mudado
Por Dominic Evans
BEIRUTE, 19 Nov (Reuters) - Os bombardeios israelenses à Faixa de Gaza causam fúria entre populações do Oriente Médio que tinham a esperança de uma posição mais dura dos seus governos contra Israel depois das revoltas da Primavera Árabe.
As imagens de TV dos bombardeios israelenses e fotos de vítimas civis, inclusive quatro crianças mortas no domingo, alimentaram a raiva na região.
Em seis dias de hostilidades, 100 palestinos morreram em Gaza, onde três israelenses perderam a vida devido a foguetes disparados do território palestino.
A violência ecoa a invasão de Israel a Gaza ocorrida há quatro anos. Desde então, porém, revoluções no norte da África levaram ao poder aliados islâmicos do grupo Hamas, que governa Gaza, alterando o mapa político e gerando expectativas de uma resposta árabe mais robusta.
"Em todo Estado árabe onde a nação está se erguendo para exigir seu direito, está exigindo também os direitos dos palestinos", escreveu o romancista egípcio Ahdaf Soueif no jornal Al Shorouk.
Mais de 500 ativistas egípcios entraram no domingo na Faixa de Gaza para demonstrar solidariedade com os palestinos, algo impensável durante o regime de Hosni Mubarak, que manteve a fronteira do Egito com Gaza fechada mesmo durante os mais sangrentos dias da ofensiva aérea e terrestre de Israel em 2008/09.
Mubarak foi deposto no ano passado, e seu sucessor Mohamed Mursi, cuja Irmandade Muçulmana tem fortes ligações com o Hamas, enviou na sexta-feira seu premiê a Gaza.
"Que nos mobilizemos e não fechemos nossos ouvidos e fechemos a passagem como costumava acontecer antes é algo bom", disse o engenheiro Islam Mahmoud, de 30 anos, no Cairo. Continuação...

