Oposição japonesa promete acordo com BOJ para inflação em 2%

quarta-feira, 21 de novembro de 2012 10:35 BRST
 

Por Tetsushi Kajimoto e Leika Kihara

TÓQUIO, 21 Nov (Reuters) - O Partido Liberal Democrata (PLD), de oposição e cotado para vencer as eleições parlamentares do Japão, prometeu nesta quarta-feira um grande orçamento extra e um acordo político com o banco central sobre medidas agressivas de estímulo monetário para ajudar a resgatar a economia da recessão.

O partido também prometeu aumentar os gastos em defesa marítima, defender o território do Japão e aliviar as restrições sobre o Exército impostas pela Constituição pacifista. Essas posições podem inflamar ainda mais a tensa relação com o governo chinês, já fragilizada uma disputa por pequenas ilhas desabitadas, agora controladas por Tóquio.

A política monetária, junto com a diplomacia e as questões de segurança, surgiram como pontos centrais das eleições de 16 de dezembro -- as primeiras desde que o primeiro-ministro Yoshihiko Noda, do Partido Democrático do Japão (PDJ), chegou ao poder em 2009.

Três anos e três primeiros-ministros depois, pesquisas de opinião mostram que eleitores decepcionados estão inclinados a darem a maioria da câmara baixa do Parlamento ao PLD.

A plataforma do partido de oposição pede a definição de uma meta de inflação de 2 por cento no âmbito de um acordo entre o governo e o Banco do Japão (BOJ, banco central), bem como a possível revisão da lei do BOJ que garante a independência do banco central, para "fortalecer a cooperação" com o governo sobre as políticas.

O documento também disse que um governo do PLD iria considerar a criação de um fundo público-privado para comprar títulos estrangeiros.

Mas não fez menção à proposta do líder do partido e ex-premiê Shinzo Abe de que o BOJ deve subscrever diretamente títulos emitidos para projetos de obras públicas. Noda diz que a ideia ameaça a independência do banco central.

Refletindo a ampla posição do partido pró-energia nuclear, mais de 18 meses após o desastre nuclear de Fukushima, o PLD disse que vai decidir dentro de três anos sobre a possibilidade de reiniciar usinas nucleares ociosas. Temores da população sobre a segurança têm crescido desde o desastre de março de 2011, o que provocou grandes manifestações contra o reinicio de usinas.

 
Presidente do Partido Liberal Democrático (PLD), de oposição, Shinzo Abe, mostra folheto da plataforma de campanha do partido para as eleições parlamentares em dezembro, em Tóquio, em foto da Kyodo. 21/11/2012 REUTERS/Kyodo