Após Nobel da Paz, UE faz cúpula em clima de guerra

quinta-feira, 22 de novembro de 2012 10:34 BRST
 

Por Luke Baker

BRUXELAS, 22 Nov (Reuters) - A União Europeia ganhou o Prêmio Nobel da Paz neste ano, mas, para muitos políticos, diplomatas, funcionários públicos e até jornalistas, a organização parece uma câmara de tortura.

Cada vez mais, a Europa é governada à noite, por líderes num avançado estado de exaustão, desrespeitando evidências científicas de que isso pode levar a decisões ruins, ou à indecisão.

Nos últimos três anos, a UE realizou 25 cúpulas para tentar resolver sua crise da dívida e os problemas econômicos dela decorrentes. Poucas vezes essas reuniões terminaram antes de 3h ou 4h da madrugada -- geralmente, após 12 horas ou mais de negociações quase infrutíferas.

Some-se a isso mais de 40 reuniões de ministros de Finanças --a última delas encerrada às 5h da quarta-feira, novamente sem acordo--, e é fácil entender como um conjunto de instituições criadas para promover a paz e a estabilidade na Europa pode acabar causando frustração, raiva e dor de cabeça.

"Digamos assim: acordei às 5h ou 5h30 ontem, e acabamos de manhã, por volta de 4h", queixou-se o premiê eslovaco, Robert Fico, depois da frustrante cúpula anterior, em outubro. "É assim que todos nós operamos, adotamos decisões muito sérias sob pressão", disse.

Na cúpula de quinta e sexta-feira desta semana, os líderes dos 27 países da UE buscarão um acordo sobre o orçamento comum do período de 2014-2020, num valor de cerca de 1 trilhão de euros (1,3 trilhão de dólares).

Promete ser um acirrado duelo entre interesses nacionais, ao invés do modelo de reconciliação e harmonia louvado pelo Comitê do Nobel.

Essas negociações orçamentárias acontecem a cada seis ou sete anos, e são notórias por envolverem debates agressivos que se prolongam até bem depois dos horários previstos.   Continuação...

 
Primeiro-ministro de Luxemburgo Jean-Claude Juncker chega à sede do conselho da UE para reunião com líderes do bloco sobre o orçamento da organização. 22/11/2012 REUTERS/Francois Lenoir